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sábado, 13 de julho de 2013

Pacotes bancários têm alta de 111% em 5 anos.

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DO "AGORA"
Em cinco anos, o preço dos pacotes de serviços bancários aumentou até 111%, percentual muito acima da inflação do mesmo período.
A alta foi identificada na comparação entre os mesmos pacotes dos bancos em 2008 e 2013. Sem a inflação do período, o aumento é de 79%.
Levantamento do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) analisou 14 cestas de serviços vendidos em 2008 e 2013 e apontou que seis deles tiveram alta, entre 38% e 111%, enquanto a inflação foi de 32,34%. Só dois pacotes tiveram redução de 14% e 21%.
A pesquisa foi feita com os seis maiores bancos do país, com mais de um milhão de clientes. Em maio de 2013, o número de pacotes de tarifas disponíveis passou de 35 para 78.
Segundo a pesquisa, desde 2008, muitos pacotes foram substituídos e o valor cobrado aumentou consideravelmente.
Há cinco anos, as instituições ofertavam em média seis pacotes de tarifas, incluindo universitários e contas eletrônicas. O preço médio das opções básicas era de R$ 9,57 e o pacote com o maior valor era de R$ 30,53.

Editoria de Arte/Folhapress
RESPOSTA
O Itaú disse que busca manter a melhor relação custo-benefício para o cliente e que, desde 2000, tem extrato detalhado com a quantidade de serviços utilizados e contratados.
O Bradesco informa que algumas tarifas foram realinhadas em função de aumento dos custos operacionais.
O Santander disse que, nos últimos cinco anos, os pacotes passaram por modificações para respeitar e atender às novas necessidades.
O Banco do Brasil disse que tem um extrato de serviços que permite a consulta de tarifas usadas e a utilização do pacote de serviço. Os demais não responderam.
(JULIANO MOREIRA)

Em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/07/1310050-pacotes-bancarios-tem-alta-de-111-em-5-anos.shtml 

Após TelexFREE e BBom, mais 16 empresas são investigadas.

  • Todas são suspeitas de atuar em esquemas de pirâmide financeira
Daiane Costa 
Luiza Xavier
Luciana Casemiro
Publicado:
Atualizado:

Consumidor deve desconfiar de ganhos altos e rápidos, proporcionais à entrada de novas pessoas no grupo, diz Ministério da Justiça
Foto: Adriano Machado / Bloomberg
Consumidor deve desconfiar de ganhos altos e rápidos, proporcionais à entrada de novas pessoas no grupo, diz Ministério da Justiça Adriano Machado / Bloomberg
RIO — Uma força-tarefa de promotores e procuradores do Ministério Público Federal e Estaduais de todo o Brasil investiga outras 16 empresas suspeitas de prática de crime financeiro, além de TelexFREEe e BBom, que já tiveram as atividades suspensas e os bens bloqueados pela Justiça. De acordo com a procuradora da República em Goiás, Mariane Guimarães Oliveira, os nomes das companhias, que atuam em todo o país, serão preservados até que as investigações sejam concluídas:
— Enquanto não soubermos quais empresas são legais, peço aos consumidores que não saiam investindo em marcas que não conhecem. E, ao receber alguma tipo de oferta para se tornar divulgador, que busque informações sobre a empresa em órgãos de defesa do consumidor.
A Justiça Federal em Goiás também apura se a BBom tem negócios com a TelexFREE, a partir de investigação da Polícia Federal que aponta indícios de que as duas pirâmides realizaram transações com pessoas em comum e de que a BBom recebeu dinheiro da TelexFREE.
A BBom está com os bens bloqueados desde quarta-feira passada, quando a Justiça Federal em Goiás acatou o pedido para bloqueio dos bens da empresa Embrasystem (que usa os nomes fantasias Unepxmil e BBom), em ação cautelar movida por dois procuradores e um promotor. De acordo com a investigação, até o fim do ano passado, antes da criação da BBom, as empresas do grupo não movimentavam mais que R$ 300 mil por ano. Em pouco mais de seis meses, o fluxo financeiro cresceu mais de 300%. Estão bloqueados mais de cem veículos, além de R$ 300 milhões em contas do grupo.
Empresas negam ligação
No caso da BBom, o produto que supostamente sustentava o negócio é um rastreador de veículo. Como em outros casos emblemáticos de pirâmide financeira, o produto serve como isca para recrutar novos associados. Os interessados associavam-se mediante pagamento de taxa de cadastro de R$ 60 e de um valor de adesão que variava entre R$ 600 e R$ 3 mil. Além disso, os associados tinham que atrair novos integrantes e pagar uma taxa de R$ 80 por 36 meses. O mecanismo de bonificação aos associados era calculado sobre as novas adesões. Quanto mais gente aderia à rede, maior a premiação prometida.
A TelexFREE está com as atividades suspensas desde o último 18 de junho, por determinação da juíza Thaís Khalil, do Tribunal de Justiça do Acre, estado no qual possuía uma grande rede dos chamados divulgadores. A partir da decisão, a empresa não pode mais cadastrar novos associados, nem pagar os já cadastrados. A TelexFREE também está sendo investigada pelo o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça (MJ), que instaurou processo administrativo contra a empresa por indícios de formação de pirâmide financeira e ofensa ao Código de Defesa do Consumidor. Nessa semana, o MJ determinou à Polícia Federal abertura de inquérito para apuração de eventuais crimes.
— O consumidor deve desconfiar de ganhos altos e rápidos, proporcionais à entrada de novas pessoas no grupo — ressalta Amaury Oliva, diretor do DPDC.
Horst Vilmar Fuchs, um dos dez advogados da TelexFREE, informou que a empresa está tomando “diversas medidas” para recuperar o direito de atuar no país. E negou qualquer relação com a BBom:
— Não vão encontrar prova da existência dessa ligação. Podem vasculhar todas as contas.
Por meio de nota, a BBom garantiu ser uma empresa lícita e negou ter negócios com a TelexFREE. Disse ainda que já deslocou equipe jurídica a Goiás para apresentar defesa e pedir a cassação da decisão de bloqueio das contas e bens da empresa.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/defesa-do-consumidor/apos-telexfree-bbom-mais-16-empresas-sao-investigadas-9023409#ixzz2YyVdFi65
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sábado, 29 de junho de 2013

Gigante precisa de vacina.



MARCELO RUBENS PAIVA - O Estado de S.Paulo On line em 29/06/13

No Brasil de hoje, os conflitos de uma sociedade mobilizada acabam interferindo na rotina de uma família que "despertou". Os protestos de rua e a indignação coletiva promovem uma nova forma de ativismo doméstico.
Como na família de Jurandir. Um honesto despachante, que chegou em casa no começo da noite, olhou para os lados, não viu ninguém suspeito na calçada, encostou o Palio 1.5 na garagem, abriu o portão com o controle remoto, estacionou, desligou o carro, fechou o portão e respirou aliviado. Sobrevivi. Atravessei uma cidade de fúria e caos, encontrei rotas que fluíram, lutei como um cavaleiro medieval por espaços nos cruzamentos, enfrentei a ira dos concorrentes no congestionamento monstro sem perder o foco.
Jurandir desligou o cronômetro. Uma hora e 57 minutos para chegar em casa. Comemorou. Anotou na agenda que guardava no porta-luvas: 1h57. Olhou a planilha dos dias anteriores. Era das melhores marcas. Fechou os olhos. Dormir agora seria bom: o sono merecido do guerreiro que rala o dia inteiro.
Poderia estar sob o sol de Peruíbe. Até a voz do caçula reverberar entre as ondas do mar, competir com o som repousante de um jogo de tamboréu. Parecia urgente. "O gigante, o gigante..." Abriu os olhos com o filho batendo na janela do carro. Como estou estressado. Como preciso de um café. Como é que é?
"O Gigante acordou! Precisa levar no veterinário!", gritou o moleque.
E nem tinha desatado o cinto. Já começava o segundo tempo: gerenciar os problemas comuns de uma família comum em dias históricos.
"Fala com a sua mãe."
"Saiu."
"Sua irmã?"
"Saíram todos."
Quase hora da janta. Deixaram o moleque sozinho?
"Precisa levar no veterinário."
"Já ouvi!"
Pegou sua pasta, desceu do carro. Entraram pela cozinha.
"Liga para sua mãe?"
"O celular não pega."
"Ela disse pra onde ia?"
"Manifestação."
"PEC 37?"
"Fora Feliciano."
"E sua irmã? PEC 37?"
"Já foi rejeitada pela Câmara, pai. Ia no Passe Livre, mas o cartaz dela não tinha nada a ver com isso."
"O que dizia, Hospital Padrão Fifa?"
"Não posso dizer."
"Fala, o que estava escrito no cartaz?"
"Não."
"Te dou cinco."
"Vinte."
"Dez."
"OK."
Serviu o café morno e já adoçado da garrafa térmica, tomou um gole, olhou a carteira. Tirou uma nota de dez, a única nota que tinha.
"Não Sou Puta."
"O quê?!"
"Tava no cartaz."
"Sem vergonha! Ela foi pra Marcha das Vadias! Foi vestida, pelo menos? O que está acontecendo com essa família?"
O moleque arrancou a nota da mão do pai. Entrou apressado o filho mais velho, com um saco de lixo preto que embrulhava algo pesado. Escondia alguma coisa. Tentou apressadamente ir para o quarto, quando o pai impediu.
"O que você estava aprontando?"
"Nada, pai, estava protestando, mudando o Brasil. Desculpe o incômodo, beleza?"
O filho segurou o embrulho nas costas. O pai num gesto rápido o arrancou. O filho pegou de volta. Lutaram pelo saco de lixo. Que rasgou em dois. Um objeto redondo caiu no chão, estalou e rolou para debaixo da mesa. O pai correu para verificar. Não era uma bola. Era duro. Tinha viseira. Cores de camuflagem. No topo, lia-se: Tropa de Choque.
"Você é um vândalo. Roubou este capacete de quem?"
"Não sou vândalo. Nem arruaceiro. Sou radical. Isso é espólio de guerra. Me dá!"
Arrancou da mão do pai. Quando entrou pela sala a filha com a cara pintada, sem camisa, com estrelas nos bicos dos seios, e escrito com batom no peito: IMORAL É O SEU PRECONCEITO.
"Ponha já uma camisa!"
Atrás dela, dois PMs pediram licença, entraram e cumprimentaram o pai, o filho mais novo, enquanto o mais velho embrulhou seu espólio com um pano de chão e correu para o quarto num pulo. Antes que o pai perguntasse, a filha logo explicou: "Passaram para o nosso lado".
"Que lado?"
"Dos explorados."
E saiu para se vestir.
"Desculpe, mas elas gritavam o tempo todo: 'Você que é explorado, passe para o nosso'"...
Tiraram os capacetes, os cintos com cassetete, spray de pimenta e algemas.
"Podemos nos sentar, estamos exaustos. Trabalhamos muito nesse mês."
"Todo dia agora é um dia histórico", comentou o outro.
"Os senhores têm mandado?", Jurandir perguntou.
"Vocês estão com fome?", perguntou a filha voltando com a cara lavada e uma camiseta da banda Pussy Riot.
"Podemos pedir um McDonald's", sugeriu o caçula.
"Foi queimado por vândalos mascarados", lembrou um PM.
"Pizza", sugeriu a filha.
"Preciso ir no banco sacar algum", pensou alto o pai.
"Foi depredado por arruaceiros", lembrou o outro PM.
"A pizzaria?", perguntou o pai.
"O banco."
"Tem a lasanha congelada. Está sem tempero", sugeriu a garota.
Os PMs sorriram satisfeitos. Àquela altura, comeriam até sola de coturno. Ela tirou a lasanha da geladeira. O pai preocupado andou pela casa, buscando um canto em que o celular tivesse sinal. Se ao menos lutassem por um 3G decente, pensou. A lasanha foi para o micro-ondas. Um dos PMs ajudou a colocar a mesa, enquanto o outro sociabilizou.
"Que gracinha, é chihuahua, né? São inteligentíssimos. Como se chama?"
"Gigante. Precisa ir pro veterinário."
"O Gigante tá doente?"
"Precisa de vacina."
O forno apitou. A filha tirou a travessa e colocou na mesa. Deu uma prova. Estava sem gosto.
"Com licença", ela disse, pegando o tubo de spray do cinto do policial.

Sexo e a organização da sociedade.


Fernando Reinach em Estadão On line em 29/06/13

Existem dois grupos de seres humanos, homens e mulheres, e a diferença entre eles depende da presença do cromossomo Y no genoma. Quando o Y está presente nos tornamos homens (XY), quando está ausente nos tornamos mulheres (XX). A novidade é a descoberta de que um mecanismo semelhante pode controlar a organização social e política dos seres vivos. Se o cromossomo estiver presente, a sociedade é controlada por um único líder; se estiver ausente, o poder é compartilhado entre diversos líderes.
Esse mecanismo foi encontrado na Solenopsis invicta, uma formiga conhecida no Brasil como lava-pés. É um bicho cruel que sobe rapidamente nas pernas do agressor, pica sem dó e provoca muita dor.
Faz anos os cientistas descobriram que somente uma parte dos formigueiros de lava-pés possuía uma única rainha, os outros possuíam múltiplas rainhas. Inicialmente se imaginou que essa diferença se devia ao processo de formação do formigueiro, mas logo os cientistas descobriram que essas duas formas de organização social eram determinadas geneticamente.
O gene responsável foi identificado e recebeu o nome de Gp-9. Esse gene existe em duas formas chamadas de B e b, que determinam o comportamento dos súditos da colônia (as formigas operárias).
Quando o operariado é do tipo BB (possui duas cópias da forma B do gene Gp-9), a colônia possui uma única rainha. Quando o operariado é do tipo Bb (possui uma cópia da forma B e uma cópia da forma b), a colônia tem múltiplos líderes (rainhas).
Nas colônias com uma rainha, as operárias matam qualquer formiga que "queira" se tornar rainha. É o povo defendendo o poder total para um único indivíduo.
O povo Bb tolera e ajuda o desenvolvimento de outras rainhas, permitindo o compartilhamento do poder. Mas essas operárias Bb não são bobas, elas matam qualquer formiga do tipo BB, garantindo que suas líderes sejam todas Bb, impedindo a ascensão política do tipo BB. É o povo garantindo o sistema democrático.
O resultado desse comportamento complexo é que a forma B do gene ocorre em ambos os tipos de colônias, mas a forma b só está presente nas colônias com múltiplas rainhas. O equilíbrio entre esses dois tipos de organização social é mantido ao longo do tempo porque as formigas do tipo bb não são viáveis, morrendo logo no início do desenvolvimento. Por esse motivo, a forma B nunca é extinta e sempre se formam novos formigueiros totalitários.
Recentemente, os cientistas descobriram que o gene Gp-9 produz um receptor de odor, mas era difícil de acreditar que uma diferença em um único receptor de odor poderia determinar dois tipos de comportamentos tão diferentes e complexos. Agora esse mistério foi elucidado. Na verdade, o gene Gp-9 faz parte de um conjunto de 616 genes que ocupam quase metade de um dos cromossomos dessas formigas. Esse grupo de genes é diferente no cromossomo B e no cromossomo b e é sempre herdado como um grupo, nunca se misturando. Assim, se uma formiga herda um cromossomo B, herda toda a coleção "B" desses 616 genes, mas se herda um cromossomo "b" recebe uma outra coleção dos 616 genes. A conclusão é que B e b são uma espécie de supergene, um segmento de DNA composto por uma coleção de centenas de genes, herdados em grupo, capaz de determinar dois tipos muito diferentes de comportamento social.
O interessante é que o único outro exemplo de um grupo de genes que determina grandes diferenças morfológicas e comportamentais é o supergene presente no cromossomo Y, responsável por determinar o sexo do indivíduo. Esta é a primeira vez que se descobre um outro supergene capaz de gerar, dentro de uma espécie, dois grupos de indivíduos com comportamentos muito diferentes.
A conclusão de que o mesmo mecanismo usado por uma infinidade de espécies para determinar se o indivíduo é um macho ou uma fêmea é utilizado por essa espécie de formiga para determinar se o indivíduo é um democrata, que defende colônias com poder compartilhado, ou um adepto e defensor da realeza, que vive em colônias com uma única rainha. Será que supergenes sociais existem em seres humanos?

* MAIS INFORMAÇÕES: A Y-LIKE SOCIAL CHROMOSSOME CAUSES ALTERNATIVE COLONY ORGANIZATION IN FIRE ANTS. NATURE VOL. 493 PAG. 664 2013
Fernando Reinach é biólogo

País rico não é aquele que pobre anda de carro. É aquele que rico anda de transporte público.

Mobilidade Urbana? Vamos à Berlin aprender

Nestes dias em que a reivindicação popular por um transporte público de qualidade, mais eficiente e de preços justos (para não falar os que reivindicam a catraca livre) tomou conta das ruas das principais cidades do Brasil, é natural voltarmos nossos olhos para lugares que apresentem uma solução.
Assim é Berlin, cidade que não teve medo de mudar e hoje vive seu presente sem remoer o passado. Enterrou à Segunda Guerra, varreu os escombros do Muro da Vergonha, pintou-lhe a sobra de grafites coloridos e abraçou o futuro.
Berlin é vanguarda mundial quando o assunto é mobilidade urbana; ocupação de grandes cidades por pessoas e humanização dos espaços públicos. A arte, a criatividade e o design – todos à serviço da sustentabilidade – estão em cada bairro, feira de rua ou parque da capital alemã.



Por suas paragens, lembrei à todo instante do livro Cidades Invisíveis, do escritor italiano Ítalo Calvino, que realiza uma viagem imaginária pela ótica do navegador Marco Polo. “O viajante sempre leva consigo onde quer que vá, a sua cidade de origem. É a partir dela que compara e analisa o que vê”.  Paulistano que sou, não conseguia parar de pensar em São Paulo. Voltei de lá otimista. Afinal, se agora pulsa uma metrópole vibrante, há 70 anos soçobravam destroços, ruínas e uma profunda ressaca moral. Há tempo para acertarmos o passo. De deixarmos nossas urbes mais humanas.

País rico não é aquele que pobre anda de carro. É aquele que rico anda de transporte público



O site da empresa de transporte público, a Berliner Verkehrsbetriebe (BVG) dá uma aula de informações sobre locomoção: trens urbanos, metrô, bonde, ônibus e barcos cobrem toda a cidade de maneira organizada. E o melhor: estão sempre interligados com as ciclovias para andar de bicicleta.
É possível comprar bilhetes múltiplos que servem para quaisquer tipos de transporte, além de outros inúmeros tipos de bilhete: os simples (que valem por duas horas); os diários (você pode usar a rede toda até as 3h da manhã do dia seguinte); os para viagens curtas (até 3 estações), longas e uma infinidade de outros, com desconto para grupos, estudantes, etecetera. Cada um paga o que é justo, pelo que roda no busão ou no metrô.  Há ainda bilhete semanal, mensal e até anual. Tudo é tão bem feito, que a grande maioria da população quase nem anda de carro, ou taxi. A cidade fica muito mais silenciosa e despoluída.



Berlin Ama Bicicletas. Bicicletas Amam Berlin. Lições de harmonia entre ciclistas e carros.

“O importante para começar é o respeito. Respeito dos motoristas com as bicicletas no trânsito e vice-versa.” A opinião é de Christhian Tanzler, diretor do Visit Berlin, quando perguntei-lhe o que São Paulo deveria fazer para seguir o exemplo de Berlin. Há 20 anos, Tanzler só anda de bike pela cidade. Tudo começou quando sofreu um acidente de moto, fraturou a perna e teve que andar de bicicleta para reforçar a musculatura. Gostou tanto, que a magrela virou não só seu único veículo de transporte, como estilo de vida e motivação para viagens. Pedalando, ele já cruzou Cuba, parte da Indonésia, os Alpes e outros destinos. Na sua cidade natal, não importa o destino ou o compromisso, ele sempre vai de bike. “Não existe transporte melhor. Você economiza petróleo, dinheiro, ajuda a melhorar o ar da cidade, conhece melhor os lugares, olha na cara das pessoas e ainda fica com saúde” enumera Cristhian. Ele não está sozinho. Cerca de um milhão de bicicletas circulam diariamente pela capital alemã, cuja população gira em torno de 4 milhões de habitantes. À favor dos ciclistas estão 900 quilômetros de ciclovias, mais outros 200 onde a faixa é dividida irmanamente com os ônibus. Em algumas ruas e praças, só pedestres e bicicletas têm o direito de transitar.



“A geografia plana da cidade ajuda. É muito fácil ir do ponto A para o ponto B. E se cansar é só colocar a bicicleta num trem ou metrô (U-bahn ou S-bahn – mas compre um bilhete especial de ciclista) e seguir viagem” diz Mathias Stefan Petersdorf, guia da Berlin On Bike (www.berlinonbike.de). Sua empresa é especializada em roteiros personalizados: históricos, verde ou de arquitetura, que custam entre 15 e 19 euros por pessoa e levam em média 4 horas.



Com Mathias pedalamos eu, Carol e Tiago. A pequena Luisa foi confortavelmente instalada numa extensão coberta da minha bike para protegê-la da neve. Nosso destino foram os bairros da antiga Berlin Oriental, de Kultur Bauer até a East Side Gallery (trecho do antigo muro todo grafitado), cruzando fundo pelos bairros de Mitte e Prenzlauer Berg, antigos centros boêmios da cidade, em processo de gentrificação (se você não sabe o que quer dizer essa palavra, não se assuste, eu também não sabia e vou falar mais sobre ela, mas resumindo: é quando um bairro de classe operária passa a ser valorizado e ocupado pela elite).



Quem não quiser um guia para rodar em Berlin, pode ficar tranquilo. Basta alugar uma bicicleta (10 euros por 24 horas) na Berlin On Bike ou em diversas estações de metrô da cidade (o preço é praticamente o mesmo, dependendo do modelo e acessórios) e sair pedalando. Para não se perder, entre em qualquer uma das tantas livrarias de Berlin e compre mapas com sugestões de roteiros auto-guiados. E mesmo que pedalar não seja a sua praia, tome uma bike-taxi para viajar pela cidade ao som da corrente rodando pelo pedal.
Para não fazer feio, o guia Mathias dá algumas dicas. “Dê sinal antes de virar; não pare na faixa de pedestres, respeite os semáforos e use o bom senso.” Segundo a brasileira Patrícia Gertel, psicóloga brasileira que mora em Berlin há 4 anos, é preciso lembrar que no verão o estoque de bicicletas acaba cedo. “Chegue antes das dez da manhã” diz. “E também coloque um cadeado quando estacionar. Não dê moleza” completa Patrícia. No mais é aproveitar o passeio. É seguro e gostoso.

 Mi Carro, Su Carro
A nova onda em Berlin é dividir os carros e não pagar nem seus impostos, nem a manutenção.

Quando o assunto é mobilidade urbana, Berlin olha para o futuro. Inteiramente conectada por transportes públicos eficientes como trens, metrôs, ônibus e ciclovias, a cidade também enxerga os carros. Mas não o meu, nem o seu, mas o carro de todos nós, ou melhor, de qualquer um. Foi assim que marcas famosas como a Mercedez Benz e a  BMW iniciaram há pouco menos de um ano, uma batalha pelo mercado do Car Sharing (ou Carro Comunitário).


Funciona da seguinte forma. Através do aplicativo de um smart phone você decide a hora e o local que quer usar um carro. O aplicativo rastreia e indica o lugar no Google Maps. Aí é só se dirigir ao local, colocar a carteira de motorista no parabrisas e voilá. A porta se abre, a chave está dentro e é sair guiando com um carro novo, sempre limpinho, com o tanque cheio e um computador de bordo para navegar e tocar as músicas favoritas do seu Ipad.
O preço é tabelado. Custa 29 centavos de euro o minuto, por um mínimo de 10 minutos e um máximo de 20 quilômetros (se ultrapassar a quilometragem, deve-se pagar um adicional). Ao finalizar é só estacionar o veículo em uma vaga permitida, fechar a porta e dar tchau para o carro.


O programa é exclusivo para os berlinenses e para se cadastrar é preciso ter uma carteira de motorista válida e pagar uma anuidade de E$ 9,90. O programa da BMW, Drive Now, possui 500 carros circulando na cidade e 27 mil sócios. Já o Car2Go da Mercedez, possui mil veículos, todos eles elétricos. Uma frota do modelo Smart azul e branco que servem 85 mil sócios. “São pequeninos, fáceis de guiar e de estacionar” diz Robert Henrich, diretor de mobilidade da Mercedez Benz. Os BMWs por sua vez possuem mais modelos, alguns com quatro lugares e são ideais para as famílias.


“Eu morava em Hamburgo e tinha carro. Aqui em Berlin, moramos num prédio sem estacionamento. Não faz sentido ter carro. Quando quero um, para levar meu filho na escola num dia de chuva, ou ir a uma entrevista de terno, pego um Smart da Car2go” diz Max Behenger.
“É uma solução maravilhosa. E verde. Diminui o impacto no meio-ambiente. É o futuro” diz Norbert Reithhofer, diretor do programa da BMW.



“Também é uma resposta ao mercado atual. A juventude de Berlin é muito transgressora e não liga mais para o carro como símbolo de Status, não querem ter um carro, mas gostam de dirigir, claro, quando precisam” afirma Christhian Tanzler do Visit Berlin.
Os números comprovam o sucesso. Em recente reportagem sobre o assunto, a Bloomberg Business Week revela as projeções do Consoulting Group Frost e Sullivan afirmando que o Car Sharing vai invadir a Europa, saltando dos 700 mil usuários atuais para 15 milhões em 2020. A Car2Go já está em 12 cidades do mundo e pretende chegar a 20 ainda este ano.
Vamos torcer para essa moda chegar logo ao Brasil. Eu vou aderir com certeza, ainda mais sabendo que vou ter sempre um carro limpo e novinho nas mãos. Ainda melhor se for elétrico.
Deixo o link de um vídeo legal com um teste sobre o assunto. Smack! Vielen Dank e até o próximo post!
http://www.youtube.com/watch?v=ULnpYxJ8WrA&feature=player_embedded
fotos: visitBerlin/Scholvien 
fotos: divulgação Drive Now

Em: http://blogs.estadao.com.br/aprendendo-no-mundo/pais-rico-nao-e-aquele-que-pobre-anda-de-carro-e-aquele-que-rico-anda-de-transporte-publico/

Brasil tira nota 7 na preparação para a Copa, abaixo da África do Sul.

Brasil teria muito trabalho a ser feito ainda para estar pronto para a Copa do Mundo


JAMIL CHADE - ENVIADO ESPECIAL - O Estado de S. Paulo On line em 28/06/13
RIO - Em uma reunião na manhã desta sexta-feira do Comitê Organizador da Copa do Mundo, os cartolas da Fifa estimam que se o Brasil tivesse que realizar a Copa hoje estaria 70% preparado. A informação é do presidente da Conmebol, Eugênio Figueiredo, que atua como um dos chefes da entidade no mundo do futebol para preparação da Copa.
Figueiredo disse que Fifa  deu nota 7 ao Brasil - Ricardo Alfieri/Divulgação
Ricardo Alfieri/Divulgação
Figueiredo disse que Fifa deu nota 7 ao Brasil
"Avaliamos que o Brasil receberia nota 7 de 10 se a Copa fosse hoje. Não podemos abaixar os braços. Estamos no caminho certo e a Copa das Confederações foi muito boa. Mas temos um ano de trabalho pela frente e um ano passa muito rápido", disse o cartola sul-americano. Um ano antes da Copa de 2010, o presidente Joseph Blatter anunciou que a África do Sul tinha recebido nota 7,5 em relação a sua preparação para o mundial no país africano. A nota brasileira é levemente inferior. Na tarde desta sexta-feira, Blatter dará uma coletiva para explicar a avaliação da Fifa sobre o Brasil.
Outro anúncio que será feito é de que Neymar está na lista dos cinco melhores jogadores do torneio. Para Gerard Houllier, membro do cômite técnico da Fifa e ex-treinador do Lyon, o jogador brasileiro deve ser o nome do torneio. Mas a votação final será feita por jornalistas e divulgada no domingo.

Rede pública terá vacina contra HPV neste ano.

Imunizante, hoje só disponível em clínica particular, entrará no calendário oficial; faixa etária também muda e indicação passa a ser a partir dos 9 anos.



Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo On line em 29/06/13

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde vai incorporar a vacina contra HPV no calendário nacional. Dessa forma, o imunizante, hoje só disponível em clínicas particulares, passará a ser encontrado no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida já vem sendo estudada há mais de um ano e deve ser anunciada na segunda - a produção ficaria a cargo de uma Parceria Público-Privada.
O anúncio do lançamento estava previsto para ser feito na reunião mais recente do grupo interministerial que traça estratégias para ampliação da política industrial, mas foi adiada. A vacina é usada para reduzir o risco de casos de câncer de colo de útero.
A infecção pelo HPV é comum e, na maioria dos casos, regride espontaneamente. No entanto, em um pequeno número de casos a infecção se mantém, aumentando o risco do surgimento de lesões. Quando não tratadas, elas podem levar ao câncer de colo de útero, de vagina e boca, por exemplo.
Treze tipos de HPV trazem maior risco de provocar lesões. São considerados de alto risco para câncer os de número 16 e 18. Estatísticas mostram que eles estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo de útero. Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% dos condilomas genitais e papilomas laríngeos, são não oncogênicos.
Indicações. Há duas vacinas no mercado. A bivalente, produzida pela GlaxoSmithKline, protege contra HPV 16 e 18. A vacina quadrivalente, produzida pela MerckSharp&Dohme, dá proteção contra o HPV 6, 11, 16 e 18.
Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da faixa etária para o uso da vacina bivalente de HPV. Antes da decisão, o imunizante era indicado para meninas entre 10 e 25 anos. Com a mudança, seu uso pode ser feito por meninas a partir dos 9 anos. A mudança foi feita a pedido da fabricante, a GlaxoSmithKline. A decisão vale para a bivalente. A quadrivalente é registrada na Anvisa para uso em mulheres e homens com idade entre 9 e 26 anos.
Até esta semana, as duas vacinas estão disponíveis apenas em clínicas particulares. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, tanto a vacina bivalente quanto a quadrivalente são mais indicadas para meninas que ainda não iniciaram a vida sexual, isso porque apresentam maior eficácia na proteção de pessoas que nunca tiveram contato com os tipos virais das vacinas. Países que adotam a vacinação em programas nacionais de imunização o fazem na faixa etária de 9 a 13 anos.

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