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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Antibióticos naturais
A VivaSaúde revela quais são os alimentos que possuem ação comprovada contra bactérias e afastam de vez o risco de infecções!

por LEONARDO VALLE | fotos DANILO TANAKA | produção JANAINA RESENDE


Descoberta por Alexandre Fleming, em 1928, a penicilina foi o primeiro antibiótico e provocou uma revolução na forma como a medicina combatia doenças bacterianas até então. Quase 85 anos depois, a tecnologia permitiu que essa classe de medicamentos ficasse cada vez mais evoluída e certeira. “Antibióticos são substâncias produzidas por alguns tipos de micro-organismos que apresentam ação antimicrobiana contra outros micro-organismos. Hoje eles também são feitos por síntese em laboratório e há compostos derivados de plantas e animais”, explica Alexandre Bella Cruz, farmacêutico, professor e pesquisador em Microbiologia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).
Micro-organismos resistentes
O uso desenfreado de antibióticos, entretanto, pode provocar problemas. O mais conhecido é o desenvolvimento de micro-organismos resistentes, exigindo doses maiores do remédio ou a elaboração de medicamentos mais potentes. Além disso, há a automedicação, que é perigosa. “O doente desconhece os efeitos adversos devido à sub ou superdosagem. Ele pode não apresentar o efeito de cura desejado e ainda provocar alergias, intoxicação e efeitos sobre o sistema nervoso central”, completa o pesquisador.
Fontes preventivas
Mas, uma dieta adequada pode auxiliar no combate aos micro-organismos patogênicos, principalmente porque influenciam positivamente no sistema imunológico e impedem o desencadeamento de doenças infecciosas. Mas seus benefícios não param por aí. “Alguns alimentos ainda podem possuir alguma atividade antimicrobiana”, explica Cruz.
Ademais, a forma como a comida é consumida pode ajudar a prevenir infecções. Segundo Sidney Federmann, nutrólogo do Hospital São Camilo (SP) e autor do livro Superalimentos que curam e previnem doenças (Discovery Publicações), é melhor consumir frutas ácidas in natura do que em sucos. “O epitélio da garganta impede que as bactérias adentrem no organismo. O excesso de ácido inflama a mucosa e favorece essa entrada. Ao consumir a fruta in natura, a saliva neutraliza o ácido e as bactérias contidas na garganta são levadas ao estômago para serem destruídas”, informa o médico.
A seguir, pedimos a ajuda de uma equipe de nutricionistas para compilar os dez principais alimentos com ação bacteriana comprovada por pesquisas científicas. Conheça seus princípios ativos e incorpore-os de vez na sua dieta.

ALHO
Doenças que previnem:
diarreias (Campylobacter) e úlcera de estômago (H. pylori).
Atuação: contém alicina, que é responsável por seu aroma. Estudos da Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos, mostraram que um derivado da alicina rompe o filme protetor da Campylobacter e muda sua estrutura enzimática até matá-la. A Campylobacter é conhecida por contaminar alimentos e provocar diarreia. “É um indicativo de que o alho pode ser utilizado como antibactericida natural, além de proteger a comida”, diz Xiaonan Lu, microbiologista e autor da pesquisa. A alicina ainda atua sobre o RNA da H. pylori, causadora de úlceras e do câncer de estômago.
Uso: como tempero de carnes e para refogar pratos quentes.
Quantidade sugerida: 600 mg de alho por dia, o equivalente a 1 dente cru.

CEBOLA
Doenças que previnem:
intoxicação alimentar provocada por Listeria monocytogenes, Escherichia coli e Staphylococcus aureus.
Atuação: uma pesquisa in vitro realizada pela Universidade de Barcelona, na Espanha, mostrou que extratos de cebola podem inibir o crescimento de uma grande variedade de bactérias que provocam intoxicação alimentar. Isso graças a duas propriedades antioxidantes conhecidas como quercetina (encontrada em maior quantidade na cebola roxa) e campferol.
Uso: utilize a cebola para temperar carnes, vegetais e como ingrediente de maioneses, que são vulneráveis à contaminação por bactéria.
Quantidade sugerida: 1 cebola média por dia.

FONTES: NUTRICIONISTAS, ALINE MENEZES TIBURCIO ROQUE, DOCENTE DA UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ (UNOPAR); ANA LUÍSA KREMER FALLER, DOCENTE DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ (UNESA); MARIA GORETE BOLOGNINI AIELLO, DA FACULDADE METROPOLITANA UNIFICADA (FMU), ANDRÉIA SILVA, DE ARARAQUARA (SP).

EUCALIPTO
Doenças que previnem:
infecções respiratórias.
Atuação: seus óleos essenciais impendem a adesão de micro-organismos nas mucosas do nariz e garganta, estimulando sua eliminação pelo corpo. É indicado principalmente para pessoas que ficam gripadas com facilidade.
Uso: como chá quente ou gelado. Cada 1 colher (chá) da planta rende 1 xícara. A planta pode ser batida ainda com suco de frutas ou consumida como xarope, a partir de uma calda de açúcar.
Quantidade sugerida: 2 xícaras do chá por dia.

MEL
Doenças que previnem:
intoxicação alimentar (Staphylococcus aureus) e úlcera gástrica (H. pylori).
Atuação: contém uma enzima que produz peróxido de hidrogênio, de conhecida ação antisséptica. Pesquisadores da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia, comprovaram que o mel destrói cepas da bactéria Staphylococcus aureus. A ação é similar à descoberta pela Universidade King Saud, da Arábia Saudita, contra a H. pylori.
Uso: como adoçante de sucos, cafés, iogurtes e sobremesas. Também pode ser utilizado para conservar frutas em compotas.
Quantidade sugerida: 1 colher (sobremesa) por dia.

CRANBERRY
Doenças que previnem:
infecção urinária (Escherichia coli).
Atuação: a fruta possui compostos que impedem a aderência da bactéria no trato urinário, impedindo sua proliferação e facilitando sua eliminação pelo organismo. Um estudo recente da Worcester Polytechnic Institute, nos Estados Unidos, mostrou que a ação da bebida feita com a polpa da fruta, água e adoçante se estende por oito horas.
Uso: como suco. Se possível, opte pela polpa, já que as bebidas de caixinha possuem adição de conservantes e aditivos químicos que reduzem os benefícios da fruta.
Quantidade sugerida: até oito copos por dia.

FONTES: LUCIANA SETARO, PROFESSORA DA GRADUAÇÃO EM NUTRIÇÃO DA UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI. LISTER DE MACEDO LEANDRO, GINECOLOGISTA E DOCENTE DA FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA (SP).

TAMARINDO
Doenças que previnem:
enfermidades urinárias (Escherichia coli) e intoxicação alimentar (Staphylococus aureus).
Atuação: um estudo de 2006 publicado na revista científica Phytomedicine comprovou o potencial antibactericida do tamarindo. Seu mecanismo de ação não está esclarecido, mas acredita-se que a razão do sucesso seja o ácido tartárico, também responsável por sua ação laxativa.
Uso: in natura ou como suco.
Quantidade sugerida: até 3 copos por dia (lembrando que a fruta é laxativa).

IOGURTE PROBIÓTICO
Doenças que previnem:
infecção de bexiga, candidíase (Candida albicans) e vaginose (Gardnerella vaginalis).
Ação: a candidíase e a vaginose são provocadas pelo desequilíbrio da flora vaginal. A ingestão de Lactobacillus ajuda a irradicar as bactérias que, quando em excesso, provocam infecções. Os Lactobacillus ainda aumentam as chances de cura e evitam recidiva das doenças.
Uso: consumo de iogurte e leite fermentado com bactérias do tipo Lactobacillus.
Quantidade sugerida: até dois potes por dia.

Cuidado, cozinha!
Alimentos de origem animal e vegetal estão vulneráveis a contaminação por micro-organismo. “Temos desde os coliformes – que indicam que o alimento foi processado em condições insatisfatórias – até bactérias como Salmonella e Listeria. Elas são responsáveis por quadros graves de infecções e podem levar à morte”, explica Rodrigo Alfani, microbiologista da Sabinbiotec e mestre em Inspeção Sanitária de Alimentos. Confira algumas dicas para evitar a contaminação por bactérias:
1. Os alimentos devem ser refrigerados imediatamente, mesmo quando ainda quentes. A refrigeração diminui a multiplicação bacteriana.
2. Limpe os utensílios de cozinha com primor, para evitar que restos de alimentos virem comida de bactérias.
3. Os utensílios também devem ser secos, já que a umidade é outro fator que estimula a reprodução de micro-organismos.
4. Higienize os potes dos alimentos industrializados antes de armazená-los na geladeira.
5. Nunca lave a casca do ovo antes de guardá-lo. O ovo possuiu uma proteção natural que impede que a contaminação do ambiente invada o seu interior.



LIMÃO
Doenças que previnem:
gastroenterite (Salmonella typhimurium).
Atuação: pesquisa da Universidade Shivaji, da Índia, publicada na British Journal of Pharmacology and Toxicology, mostrou que os flavonoides da casca do limão possuem ação bactericida contra Salmonella. O alimento ainda contém outros antioxidantes, como eriodicitol, hesoeretina e d-limoneno.
Uso: limpe e rale a casca. Use-a em sucos, doces e saladas.
Quantidade sugerida: uma unidade por dia.

Foto: DANILO TANAKA


ROMÃ
Doenças que previnem:
cáries (Streptococcus mutans) e intoxicação alimentar (B. cereus)
Atuação: não se sabe ao certo a razão, mas uma pesquisa da Universidade Pace, nos Estados Unidos, mostrou que o suco da romã diminui consideravelmente os micro-organismos que vivem na boca.
Uso: fruta in natura ou como suco
Quantidade sugerida: 1 unidade ou 1 copo de suco por dia.

Foto: Danilo Tanaka
ÓLEO DE COCO
Doenças que previnem:
candidíase (Candida albicans) e cáries (Streptococcus mutans).
Atuação: ao ser digerido, o óleo de coco inibe a proliferação de bactérias que vivem na boca. Quem descobriu o feito foi o Instituto de Tecnologia de Athlone, na Irlanda. A causa provável é que metade do óleo de coco é ácido láurico, precursor da monolaurina. Essa substância possui ação contra bactérias, vírus e protozoários.
Uso: como substituto do óleo de soja ou canola. Ele ainda pode ser misturado em vitaminas, usado para temperar saladas ou na receita de bolos e doces.
Quantidade sugerida: até 4 colheres (sopa) por dia.

Em http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/117/antibioticos-naturais-a-vivasaude-revela-quais-sao-os-alimentos-276095-1.asp

sábado, 12 de janeiro de 2013

Dez anos depois, população pobre do País permanece refém de programas de renda.

Estudo do Cebrap mostra que, apesar do enorme avanço registrado no combate à miséria durante a última década, desigualdade entre classes altas e baixas ainda é grande no Brasil, e oportunidades se mantêm reduzidas para quem vive do Bolsa Família.

Roldão Arruda e Lisandra Paraguassu - O Estado de S. Paulo

Hotel construído para receber visitantes em Guaribas está abandonado - Lisandra Paraguassu/Estadão
Lisandra Paraguassu/Estadão
Hotel construído para receber visitantes em Guaribas está abandonado
Implantados há uma década, os planos de combate à miséria dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff têm registrado sucesso em dois aspectos: a ampliação dos benefícios de transferência de renda à maioria das famílias mais necessitadas, garantindo alívio imediato, e a melhoria de indicadores sociais. Eles patinam, porém, quando se trata de aumentar as oportunidades de inclusão no mercado de trabalho.
Uma das cidades que simbolizam essas políticas, Guaribas, no interior do Piauí, espelha tal realidade, conforme constatou a reportagem do Estado. Foi ali que, em fevereiro de 2003, logo após a posse do presidente Lula, o então ministro do Combate à Fome, José Graziano, formalizou o lançamento do Programa Fome Zero, proposta de campanha de Lula que prometia erradicar a fome no País a partir de uma série de ações coordenadas. A escolha para o lançamento era precisa. Tratava-se da mais miserável das cidades do Piauí, o Estado mais pobre do Brasil.
Após desembarcar na cidade, Graziano distribuiu os primeiros 50 cartões do programa e previu: “Quero voltar aqui em quatro anos e dizer que vocês não precisam mais do cartão (Alimentação) porque a fome acabou.” O programa Fome Zero fracassou, mas logo foi substituído pelo bem sucedido Bolsa Família.
Passados dez anos, as melhorias para os 4.401 habitantes são notáveis:
Guaribas ganhou água encanada, agências bancárias, uma unidade básica de saúde, mais escolas e ruas calçadas. Os índices de mortalidade infantil e de analfabetismo caíram, o grau de aproveitamento escolar subiu e a fome praticamente desapareceu. Ao contrário do que previu Graziano, porém, a dependência do cartão de benefícios só aumentou.
‘Nem pensar’. Guaribas tem 956 famílias pobres vinculadas ao Bolsa Família - o que representa 87% do total da população. O maior temor dos moradores é o fim do programa. “Ave Maria, nem pense numa coisa dessas. A gente ia viver de quê? Todo mundo ia morrer de fome. Eu era uma”, diz Márcia Alves, que tem 31 anos, dois filhos, e recebe R$ 112 mensalmente do governo.
O caso de Guaribas não é único. Um estudo encomendado pela Christian Aid, instituição de igrejas protestantes do Reino Unido e da Irlanda que financia organizações não governamentais empenhadas em combater a miséria e reduzir as desigualdades pelo mundo, chegou à seguinte constatação: apesar do avanço no combate à miséria no Brasil, a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres ainda é uma das mais altas do mundo e a oportunidade de mobilidade social ainda é muito reduzida.
O estudo foi realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), sob a coordenação de Alexandre de Freitas Barbosa, professor de História Econômica Universidade de São Paulo (USP). Publicado inicialmente em inglês e lançado aqui com o título O Brasil Real: a desigualdade para além dos indicadores, ele relativiza as estatísticas usadas para comemorar os avanços dos governos petistas.
Observa, por exemplo, que quando se fala na elevação do nível de emprego, não se menciona que, de cada dez postos de trabalho que surgem no mercado formal, nove têm remuneração inferior a três salários mínimos.
Os avanços obtidos até agora, segundo o texto, não terão sustentabilidade se não forem acompanhados de uma política industrial capaz de absorver trabalhadores mais qualificados e propiciar elevações reais da renda; e se não criar condições de maior mobilidade nas zonas mais pobres.
Sem iniciativas adequadas, sinaliza o estudo, os programas de transferência de renda podem, em vez de reduzir desigualdades, acentuá-la. Numa cidade do Nordeste, com grande número de dependentes de programas de transferência de renda, os maiores beneficiários serão, por essa avaliação, o comerciante local e as indústrias do Sul e do Sudeste, fornecedoras dos produtos que ele vende.
O assunto começa aos poucos a despertar o interesse dos tucanos, já pensando nas eleições de 2014. Ao analisar os programas de transferência de renda, o cientista político Bolívar Lamounier, ligado ao PSDB, observa: “O modelo atual não tem sustentabilidade. É preciso fortalecer uma classe média baseada na pequena empresa, na produtividade do trabalho, na qualificação profissional”.
Dez anos depois do início do já esquecido Fome Zero, as coisas não são as mesmas em Guaribas. Mas a estrada para uma vida melhor continua pedregosa.


 

Galáxia pode ter 17 bilhões de 'Terras', diz estudo.

JASON PALMER
DA BBC BRASIL

Até uma em cada seis estrelas pode abrigar em sua órbita um planeta do tamanho da Terra, segundo uma pesquisa divulgada nesta semana.
Com base nesse dado, os autores da pesquisa afirmam que pode haver um total de 17 bilhões desses planetas em toda a galáxia.
A pesquisa, divulgada no encontro semestral da Sociedade Astronômica Americana, na Califórnia, foi baseada em análises de possíveis planetas revelados pelo telescópio espacial Kepler.
A equipe responsável pelo Kepler também anunciou 461 novos candidatos a planetas, elevando a 2.740 o número total de planetas já identificados.
Desde seu lançamento, em 2009, o telescópio Kepler vem observando uma parte fixa do céu, captando mais de 150 mil estrelas em seu campo de visão.
Ele detecta a diminuta redução na luz que chega de uma estrela quando um planeta passa em frente a ele, no que é chamado trânsito.
Mas essa é uma medida difícil de se fazer, com a luz total mudando apenas frações de porcentagem. Além disso, nem toda redução se deve a uma estrela.
'CORREÇÕES'
O astrônomo François Fressin, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica - que descobriu o primeiro planeta do tamanho da Terra - começou a tentar descobrir não somente quais candidatos detectados pelo Kepler podem não ser planetas, mas também quais planetas podem não ser visíveis ao Kepler.
"Temos que corrigir duas coisas. Primeiro, a lista de candidatos do Kepler é incompleta", disse Fressin à BBC.
"Nós somente vemos os planetas que estão em trânsito pelas suas estrelas hospedeiras, estrelas que por acaso têm um planeta que está bem alinhado para que nós o vejamos. Para cada um deles, há dezenas que não estão nessas condições", explica.
"A segunda grande correção é na lista de candidatos - há alguns que não são planetas verdadeiros transitando sua estrela hospedeira, são outras configurações astrofísicas", diz.
Isso pode incluir, por exemplo, estrelas binárias, nas quais uma estrela orbita outra, bloqueando parte da luz conforme as estrelas "transitam"umas às outras.
"Nós simulamos todas as possíveis configurações em que podíamos pensar - e descobrimos que elas poderiam representar apenas 9,5% dos planetas Kepler, e que todo o resto são planetas genuínos", explicou Fressin.
Os resultados sugerem que 17% das estrelas hospedam um planeta com tamanho até 25% superior ao da Terra, com órbitas fechadas que duram apenas 85 dias ou menos - semelhante ao do planeta Mercúrio.
Isso significa que a galáxia abrigaria ao menos 17 bilhões de planetas do tamanho da Terra.

Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics/Associated Press
Nova análise de dados fornecidos pelo telescópio espacial Kepler descobriu que há pelo menos 17 bilhões de planetas do tamanho da Terra
Nova análise de dados fornecidos pelo telescópio espacial Kepler descobriu que há pelo menos 17 bilhões de planetas do tamanho da Terra  
 
Zona habitável
O estudo divulgado por Fressin foi complementado pelos resultados de uma pesquisa do astrônomo Christopher Burke, do Seti Institute, que anunciou a descoberta de mais 461 candidatos a planetas.
Desse montante, uma fração substancial tem o tamanho da Terra ou não são muito maiores - planetas que até agora vinham sendo particularmente difíceis de serem detectados.
"O que é particularmente interessante é que quatro desses novos planetas - com menos de duas vezes o tamanho da Terra - estão potencialmente na zona habitável, a localização em torno de uma estrela onde poderia potencialmente haver água líquida para sustentar a vida", disse Burke à BBC.
Um dos quatro planetas, batizado de KOI 172.02, tem apenas uma vez e meia o diâmetro da Terra e orbita uma estrela semelhante ao Sol - no que seria a versão mais próxima já descoberta de uma "gêmea" da Terra.
"É muito animador, porque estamos realmente começando a aumentar a sensibilidade a essas coisas na zona habitável - estamos realmente só chegando à fronteira dos planetas que podem potencialmente ter vida", diz Burke.
William Borucki, um dos líderes da missão do Kepler, se disse "encantado" com os novos resultados.
"A coisa mais importante é a estatística - não encontramos somente uma Terra, mas cem Terras, que é o que veremos com o passar dos anos com a missão Kepler - porque ele foi desenvolvido para encontrar várias Terras", disse.

Em: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/1211642-galaxia-pode-ter-17-bilhoes-de-terras-diz-estudo.shtml

Metade da comida do mundo vai parar no lixo, diz relatório.

DA BBC BRASIL

Um relatório de uma organização britânica indica que até metade de toda a comida produzida a cada ano no mundo, cerca de dois bilhões de toneladas, vão parar no lixo.
O documento, intitulado "Global Food; Waste not, Want not" ("Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira", em tradução livre), diz que o desperdício está ocorrendo devido a uma série de motivos, entre eles as condições inadequadas de armazenamento e a adoção de prazos de validade demasiadamente rigorosos.
Outro problema é a preferência dos consumidores por alimentos com um formato ou cor específicos. O estudo diz que até 30% das frutas, verduras e legumes plantados na Grã-Bretanha sequer são colhidos por causa de sua aparência.
O desperdício de alimentos também implica em desperdício de recursos usados para a produção deles, como água, áreas para agricultura e energia, alertou o relatório publicado pela Institution of Mechanical Engineers, uma organização que representa engenheiros mecânicos e reúne cem mil membros no Reino Unido.
OFERTAS NOS SUPERMERCADOS
A ONU prevê que até 2075 a população mundial chegue a 9,5 bilhões de pessoas, um acréscimo de 3 bilhões em relação à população atual, o que reforça a necessidade de se adotar uma estratégia para combater o desperdício de alimentos e, assim, tentar evitar o aumento da fome no mundo.
De acordo com o relatório, o equivalente a entre 30% e 50% dos alimentos produzidos no mundo por ano, ou seja, entre 1,2 bilhão e 2 bilhões de toneladas, nunca são ingeridos.
Além disso, nos Estados Unidos e na Europa, metade da comida que é comprada acaba sendo jogada fora.
Tim Fox, diretor de Energia e Meio Ambiente da Institution of Mechanical Engineers, disse que o desperdício é "assombroso". "Isto é comida que poderia ser usada para alimentar a crescente população mundial além de aqueles que atualmente passam fome."
"As razões desta situação variam das técnicas insatisfatórias de engenharia e agricultura à infraestrutura inadequada de transporte e armazenamento, passando pela exigência feita pelos supermercados de que os produtos sejam visualmente perfeitos e pelas promoções de 'compre um, leve outro grátis', que incentivam os consumidores a levar para casa mais do que precisam", disse.
ÁGUA
O relatório alertou que atualmente 550 bilhões de metros cúbicos de água estão sendo desperdiçados na produção de alimentos que vão para o lixo.
E o problema pode se agravar. Segundo a Institution of Mechanical Engineers, o consumo de água no mundo chegará a até 13 trilhões de metros cúbicos por ano em 2050 devido ao crescimento da demanda para produção de alimentos.
Isso representa até 3,5 vezes o total de água consumido atualmente pela humanidade e gera o temor de mais escassez do recurso no futuro.
O alto consumo de carne tem grande influência nesse aumento de demanda, visto que a produção de carne exige mais água do que a produção de alimentos vegetais.
"À medida que água, terra e energia passam a ser mais disputados devido à demanda da humanidade, os engenheiros tem um papel crucial a desempenhar no sentido de prevenir a perda e o desperdício de alimentos, desenvolvendo formas mais eficientes de produção, transporte e armazenamento", disse Fox.

Em: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/1212840-metade-da-comida-do-mundo-vai-parar-no-lixo-diz-relatorio.shtml

Preços dos alimentos caem 7% em 2012, diz FAO.

Os itens cujos valores mais baixaram foram açúcar e laticínios; em dezembro, preços recuaram 0,9%, menor nível desde junho de 2012.

Mulher inspeciona sacos de abóboras em um mercado de legumes em Taiyuan, na China
Mulher inspeciona sacos de abóboras em um mercado de legumes em Taiyuan, na China (Stringer/Reuters)

Os preços internacionais dos alimentos caíram em 2012 cerca de 7% em relação a 2011, disse nesta quinta-feira a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que mede a variação mensal dos preços internacionais de uma cesta de commodities alimentares, ficou em média em 212 pontos, com as maiores quedas ocorrendo em açúcar (17,1%) e laticínios (14,5%). Contudo, a redução de preço foi mais modesta para os cereais, que caíram apenas 2,4% no ano.
"O resultado marca uma reversão da situação verificada em julho, quando o forte aumento dos preços despertou temores de uma nova crise alimentar", afirmou Jomo Sundaram, diretor-geral assistente do Departamento de Desenvolvimento Econômico e Social da FAO.
Em dezembro, o índice de preços marcou 209 pontos, queda de 0,9% em relação a novembro, e o menor nível desde junho de 2012, o que representa o terceiro mês consecutivo de redução. A redução foi provocada principalmente pela retração dos indicadores de cereais e gorduras. A FAO alertou, porém, para a perspectiva pessimista do trigo de inverno já semeado no Hemisfério Norte.
O índice de preços de cereais caiu para 250 pontos em dezembro, 2,3% abaixo do registrado em novembro. Na comparação com igual mês do ano anterior, a diminuição foi de 2,4%. Enquanto isso, o índice de preços de óleos e gorduras mediu 197 pontos em dezembro, queda de 4 pontos ou quase 2% ante o mês anterior, marcando o quarto mês consecutivo de declínio.
"Em dezembro, os preços do milho caíram acentuadamente, porque a volumosa oferta para exportação da América do Sul aliviou a pressão decorrente da pouca disponibilidade de grãos dos Estados Unidos. Os valores do arroz também diminuíram em dezembro, na expectativa de boas colheitas. No entanto, os preços do trigo pouco variaram diante de uma atividade comercial fraca", destacou a FAO.

Em: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/precos-dos-alimentos-caem-7-em-2012-diz-fao

Governo suspende venda de 225 planos de saúde.

Medida é uma punição pelo descumprimento das regras da ANS. Convênios terão três meses para adotar mudanças. Do contrário, seguirão suspensos.

Marcela Mattos, de Brasília
Mulher em consulta no médico ginecologista
Planos de saúde: suspensão se deve ao descumprimento de prazos máximos para consultas, exames e cirurgias (Thinkstock)
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), do governo federal, anunciou na manhã desta quinta-feira a suspensão das vendas de 225 planos de saúde de 28 operadoras. A partir da próxima segunda-feira, as companhias não poderão comercializar os planos por um prazo mínimo de três meses. Passado o período, se os convênios não restabelecerem os padrões exigidos pelo Ministério da Saúde, a punição poderá ser prorrogada. Confira a lista dos planos cuja venda foi suspensa.
Ao todo, os planos reprovados pela ANS atendem 1,9 milhão de pessoas, o que corresponde a 4% dos clientes das operadoras brasileiras. A medida, contudo, não altera as regras para quem já é cliente dos planos. Os usuários poderão continuar fazendo o uso do convênio normalmente. As operadoras, no entanto, ficam proibidas de aumentar o número de beneficiários dos planos listados. O motivo da suspensão, de acordo com o Ministério da Saúde, é o descumprimento de prazos máximos para consultas, exames e cirurgias.
Leia mais:
Planos que tiveram a comercialização suspensa
Operadoras com planos suspensos e medidas administrativas adicionais
Planos com comercialização reativada

Reclamações ANS
Reincidência — Desde o início do monitoramento, em janeiro de 2012, essa é a terceira vez que o Ministério da Saúde aperta o cerco contra os convênios médicos, seguindo os critérios estabelecidos na Resolução Normativa 259 da ANS, que preveem fiscalização trimestral. Em julho do ano passado, 268 planos de 37 operadoras sofreram a suspensão de 90 dias por descumprirem o prazo mínimo de atendimento. Três meses depois, na avaliação seguinte, 301 planos de 38 operadoras foram punidos pelo governo. Desse total, 223 já haviam sofrido suspensão em julho.
Em sua quarta avaliação, a ANS constatou uma diminuição no número de penalidades aplicadas. De outubro para cá, as operadoras suspensas passaram de 38 para 28, o que, na opinião do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reflete o efeito pedagógico da fiscalização. Ainda com base nos números de outubro, dessas 38 operadoras, 18 melhoraram os resultados e estão liberadas à comercialização. Outro efeito positivo apontado por Padilha é o aumento das reclamações. Entre o período de 19 de setembro e 18 de dezembro de 2012, a ANS contabilizou 13.600 manifestações de beneficiários pelo descumprimento dos prazos máximos estabelecidos, o que representa um aumento de mais de 30% em relação à última avaliação, em outubro.
Penalidades — Das 28 operadoras que serão suspensas a partir da próxima segunda-feira, 16 seguem apresentando resultados negativos desde a primeira avaliação. A essas companhias, o governo vai impor medidas mais drásticas. Se, após notificadas, elas não apresentarem um plano de melhorias convincente em 15 dias, ANS irá indicar um diretor técnico para acompanhar os trabalhos de restabelecimento, feito por meio de aumento do quadro de funcionários e da ampliação de laboratórios e serviços.
Já as outras 12 operadoras terão de assinar um termo de compromisso apresentando as melhorias, e serão submetidas a nova avaliação daqui a três meses. A Unimed-Rio entra como 13ª operadora suspensa. No entanto, ela não consta no cálculo do governo por ter suspendido as vendas de forma voluntária.
Além de correrem o risco de enquadrarem-se no chamado rito técnico (quando a ANS coloca um diretor técnico para acompanhar o trabalho dessas empresas), as operadoras que não cumprirem os prazos estarão sujeitas a multas que variam entre 80.000 reais e 100.000 reais. “O Ministério da Saúde sempre percebeu que as multas não eram eficazes. Por isso, decidimos mexer no bolso das operadoras, ao proibir novos clientes”, explicou Padilha.
Tabela regras planos de saúde 
 
Em: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/ans-suspende-comercializacao-de-225-planos-de-saude

Bisfenol A pode contribuir com o risco de doenças renais e cardíacas em crianças.

Pesquisa acrescenta evidências sobre os prejuízos da substância, que costuma ser utilizada na fabricação de produtos de plástico e latas de alumínio.

Bisfenol A: A substância é utilizada na fabricação de produtos de plastico como brinquedos, mamadeiras e copos e, por isso, é comum a exposição de crianças ao composto
Bisfenol A: A substância é utilizada na fabricação de produtos de plastico como brinquedos, mamadeiras e copos e, por isso, é comum a exposição de crianças ao composto (Thinkstock)
A exposição ao bisfenol A (BPA), um composto químico utilizado frequentemente na fabricação de produtos de plástico e latas de alumínio que condicionam alimentos, pode estar relacionada a um maior risco de doenças renais e cardíacas em crianças, concluíram pesquisadores americanos. Esse achado faz parte de um estudo desenvolvido na Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, e publicado nesta quarta-feira na revista Kidney International.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Bisphenol A exposure is associated with low-grade urinary albumin excretion in children of the United States

Onde foi divulgada: revista Kidney International

Quem fez: Leonardo Trasande, Teresa Attina e Howard Trachtman

Instituição: Universidade de Nova York, Estados Unidos

Dados de amostragem: 710 jovens de seis de 19 anos de idade

Resultado: Crianças e adolescentes com maiores níveis de bisfenol A na urina também têm as maiores concentrações de albumina na urina. Essa proteína está associada a um maior risco de doenças renais precoces e de problemas cardíacos na idade adulta.
Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após analisar os dados de 710 crianças e adolescentes americanos que tinham entre seis e 19 anos de idade. As informações incluíam a concentração, na urina dos jovens, de BPA e de uma proteína chamada albumina, que se acumula quando os rins estão danificados. Altos níveis da proteína na urina de crianças estão relacionados a doenças renais precoces e um maior risco de problemas cardíacos ao longo da vida.
Após levar em consideração outros fatores, como nível socioeconômico, etnia, idade peso e sexo, os pesquisadores compararam os níveis de BPA e de albumina na urina dos participantes. As conclusões mostraram que as crianças e adolescentes com os maiores níveis de BPA na urina foram aqueles que também apresentaram a maior concentração da proteína.
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Duplo prejuízo — A albumina serve como um marcador biológico (substância medida para detectar alguma doença ou desequilíbrio no organismo) para uma doença renal precoce. No entanto, explicam os autores do estudo, ter um rim danificado pode significar dificuldade em filtrar moléculas grandes, como é o caso da albumina. Assim, essas crianças, quando atingirem a idade adulta, podem passar a apresentar baixos níveis da proteína na urina — e esse quadro está relacionado a problemas como disfunção dos vasos sanguíneos, maior risco de hipertensão, diabetes ou doença cardíaca.
 “Apesar dos resultados, ainda não podemos confirmar definitivamente que o BPA contribui com doenças renais e cardíacas em crianças, mas podemos afirmar que o nosso estudo acrescenta mais informações a outras pesquisas já feitas antes sobre os possíveis prejuízos do composto. Além disso, apoia iniciativas que busquem reduzir a exposição de crianças à substância”, diz Leonardo Transade, um dos autores da pesquisa.
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Substância perigosa — De tempos em tempos, são divulgados os resultados de pesquisas científicas que olham para os efeitos do bisfenol A. Esses estudos já relacionaram a substância a alterações do sistema endócrino, predisposição ao desenvolvimento de tumores, infertilidade, câncer de mama e de intestino, puberdade precoce, obesidade, Síndrome de Down e hiperatividade. Por esse motivo, e com o objetivo de reduzir o contato dos bebês com tal substância, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em setembro de 2011, a comercialização de mamadeiras com a presença de bisfenol A no mercado brasileiro.

Como ocorre a contaminação por Bisfenol A:

1. O bisfenol A (BPA) está presente em produtos de plástico feitos de policarbonato e também no revestimento interno de latas de alumínio.
2. Por se tratar de uma molécula instável, não é preciso muito para que o bisfenol A das embalagens entre em contato com os alimentos. A maior contaminação acontece com mudanças de temperatura, como quando o produto é levado ao microondas ou ao congelador, ou quando as embalagens são danificadas ou ficam velhas.
3. Ao consumirem alimentos contaminados pelo BPA, as pessoas são expostas a um composto químico que, no nosso organismo, se comporta de maneira semelhante ao estrógeno, um hormônio feminino. Ou seja, funciona como um desregulador endócrino.
4. Estudos relacionam o BPA a alterações genéticas que podem provocar uma série de problemas de saúde.
4A. Grávidas: O composto pode alterar a reprogramação celular e causar problemas que podem aparecer não só quando a creiança é bebê, mas também na adolescência. Estudos relacionaram essa exposição à transtono de atenção e hiperatividade, à síndrome de Down, diabetes, puberdade precoce e obesidade.
4B. Crianças: Assim como os fetos, as crianças ainda estão em fase mais acelerada de desenvolvimento e, portanto, a exposição a um desregulador endócrino como o BPA pode provocar os mesmos problemas que ocorrem nos fetos.
4C. Adultos: Os adultos também podem sofrer as consequências da exposição. Problemas de infertilidade foram observados em pesquisas em ambos os sexos. Homens podem apresentar piora na qualidade do esperma e câncer de próstata. Mulheres podem desenvolver câncer de mama. O BPA também pode estar associado com obesidade.Também foi relacionada a exposição ao BPA com câncer de intestino, alteração da tireoide e hipotireoidismo.

Adaptado de: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/bisfenol-a-pode-contribuir-com-o-risco-de-doencas-renais-e-cardiacas-em-criancas

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