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sexta-feira, 21 de junho de 2013

O mundo não é, o mundo está sendo!!

Paulo Freire, o mentor da educação para a consciência.

O mais célebre educador brasileiro, autor da pedagogia do oprimido, defendia como objetivo da escola ensinar o aluno a "ler o mundo" para poder transformá-lo.

Márcio Ferrari da revista Nova Escola Online

Paulo Freire. Foto: Mauricio Nahas
Paulo Freire
Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.

Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as "escolas burguesas"), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. "Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade", escreveu o educador. Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.

Aprendizado conjunto

Freire criticava a ideia de que ensinar é transmitir saber porque para ele a missão do professor era possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos. Mas ele não comungava da concepção de que o aluno precisa apenas de que lhe sejam facilitadas as condições para o auto-aprendizado. Freire previa para o professor um papel diretivo e informativo - portanto, ele não pode renunciar a exercer autoridade. Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. "Os homens se educam entre si mediados pelo mundo", escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro - e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar. "Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo", diz José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.

A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização preconizado por Paulo Freire e está no âmago de seu método de alfabetização, formulado inicialmente para o ensino de adultos. Basicamente, o método propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos - as chamadas palavras geradoras. Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua, como por exemplo "tijolo" para os operários da construção civil. 

Diante dos alunos, o professor mostrará lado a lado a palavra e a representação visual do objeto que ela designa. Os mecanismos de linguagem serão estudados depois do desdobramento em sílabas das palavras geradoras. O conjunto das palavras geradoras deve conter as diferentes possibilidades silábicas e permitir o estudo de todas as situações que possam ocorrer durante a leitura e a escrita. "Isso faz com que a pessoa incorpore as estruturas linguísticas do idioma materno", diz Romão. Embora a técnica de silabação seja hoje vista como ultrapassada, o uso de palavras geradoras continua sendo adotado com sucesso em programas de alfabetização em diversos países do mundo.

Seres inacabados

O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a "ler o mundo", na expressão famosa do educador. "Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)", dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de "cultura do silêncio" e transformar a realidade, "como sujeitos da própria história".

No conjunto do pensamento de Paulo Freire encontra-se a ideia de que tudo está em permanente transformação e interação. Por isso, não há futuro a priori, como ele gostava de repetir no fim da vida, como crítica aos intelectuais de esquerda que consideravam a emancipação das classes desfavorecidas como uma inevitabilidade histórica. Esse ponto de vista implica a concepção do ser humano como "histórico e inacabado" e conseqüentemente sempre pronto a aprender. No caso particular dos professores, isso se reflete na necessidade de formação rigorosa e permanente. Freire dizia, numa frase famosa, que "o mundo não é, o mundo está sendo".

Três etapas rumo à conscientização 

Embora o trabalho de alfabetização de adultos desenvolvido por Paulo Freire tenha passado para a história como um "método", a palavra não é a mais adequada para definir o trabalho do educador, cuja obra se caracteriza mais por uma reflexão sobre o significado da educação. "Toda a obra de Paulo Freire é uma concepção de educação embutida numa concepção de mundo", diz José Eustáquio Romão. Mesmo assim, distinguem-se na teoria do educador pernambucano três momentos claros de aprendizagem. O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula. O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão - o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade. Finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização: o conteúdo em questão apresenta-se "dissecado", o que deve sugerir ações para superar impasses. Para Paulo Freire, esse procedimento serve ao objetivo final do ensino, que é a conscientização do aluno.

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VIVA A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE!!!

Cá com meus botões e em meio a uma chuva fina de final de dia (ou noite!!!) vejo os acontecimentos atuais no Brasil (as "revoltas populares"), ops!!!, desculpem-me, mas a fome apertou, e após um lanche e zapeadas pela TV a cabo e no aconchego do sofá meus botões me traíram e fui alçado à cama para dormir. Pois bem.   Hoje, já com outra fina chuva, e atualizado com mais informações de diversas mídias vou tentar proferir esta reflexão (sabedor de que as coisas e as ideias se moldam e mudam, dependendo do andar da carruagem, mas em radical oposição só se vir à tona algo de extraordinário).
O tal MPL (que se digam tem sua figura principal em uma jovem candidata a geógrafa, que parece que leu pouco nosso ilustríssimo nobel falecido Milton Santos) com uma imagem de santo-do-pau-oco tem advogados, assessoria de imprensa, todo um aparato para quem alegava ser só um grupo de jovens estudantes sem outras manifestações implícitas, começou (ou se intitulou o start up)(e até bebemorou...e olha todos foram de carros particulares e não de "buzão") este protesto em defesa dos pobres oprimidos que estavam exauridos com os centavos excessivos e agressivos que os governantes impuseram à Nação. Este protesto que com as ferramentas das redes sociais (e outras cabulosas...)  ganhou corpo excessivo em contexto nacional.
Antes que alguém grite que sou um daqueles famigerados burgueses contra manifestações populares, já aviso, não há de se confundir uma coisa com outra, mesmo em nossa pseudo democracia, é reservado a todos o direito e o dever de manifestar as opiniões (veja, desde que não agrida, não invada, não deprede, não atente contra a vida de outrem, nem a moral, não descumpra as leis, não incite a violência, não faça baderna, não desrespeite as autoridades, especialmente as policiais, etc), afinal o direito de reunir-se em praça pública é constitucional, porém torço para que o façam de forma inteligente (e também legal, e isto não quer dizer que não possam colocar pressão na linha da forma mais pacífica possível), afinal depredar prédios públicos não resolve e nem diz nada (além de ser crime), não somos fundamentalistas ou radicalistas, somos seres democratas, e como tal nos comportemos.
Lógico que é válido frisar que a massa está mesmo protestando livremente e com intuitos bons, e que devemos sim separar os vândalos burgueses ou bandidos dos trabalhadores que buscam como cidadãos um país melhor para vivermos. Não vamos descontextualizar imagens e fotos, textos e palavras da mídia para denegrir a imagem dos policiais e dos defensores da lei (se houver excessos que o sejam apurados), pois os covardes que se escondem em meio a multidão fazem a baderna amparados (pelo menos é o que eles pensam) na ideia que o poder público vai tratá-los como coitadinhos manifestantes.
Sabemos que nosso país passa por milhares de dificuldades e culmina com carnaval e futebol (eu não dou meu suado cascalho para a FIFA e as incorporadoras e construtoras), mas qual o motivo de ninguém ter saído às ruas em massa para defender o STF durante o mensalão (ou até pedir mudanças na legislação inerte, protetora e bajuladora do legislativo, para que os senadores e deputados ganhem por produção real e útil aos interesses do povo e não deles e da minoria empresarial e banqueira), ou de sair para pedir pura e simplesmente que se dê mais qualidade na educação, que se construam mais escolas e universidades, que se dê o devido valor (inclusive salarial) aos professores, que se construam mais hospitais, que se aparelhe melhor estes e forneça toda medicação necessária ao tratamento humano, que se qualifique, remunere e aparelhe as instituições de defesa social para o verdadeiro combate à criminalidade que assola o país faz tempos, que se tenha tolerância zero com corruptos de todas as esferas e níveis (inclusive os intelectuais)(com mecanismos oficiais e legais autônomos e eficazes, que possam ser cobrados pelo povo), que se distribua a renda (riqueza do país) realmente mais equitativa pelo imenso gigante que dorme (sem privilégios invertidos, ou seja, os que têm mais ganham mais do governo), que se respeite os idosos, as crianças, as mulheres, que se reformule esta massaroca de legislações nas diversas esferas (penal, cível, trabalhistas, tributária, previdenciária, comercial, administrativa, eleitoral, etc), que se criem mecanismos para fiscalização, controle, ajustes, de serviços tidos como públicos (telefonia, internet, tv a cabo, transporte terrestre e aéreo, energia elétrica, água e esgoto, coleta de lixo, Detran, etc) , que criem mecanismos reais e eficazes para reduzirmos a concentração de riqueza (vejam os spread bancários...um paraíso o Brasil), que sejam melhoradas as qualidades das vias terrestres (sem termos que pagar com pedágios), que se criem (ou reativem com qualidade e se expanda) redes ferroviárias e hidroviáras para entre outros escoar toda produção de bens e produtos com velocidade e qualidade, que se crie um programa e se faça uma revolução no saneamento básico, esgoto, água potável de qualidade, que se   aparelhem melhor as escolas e universidades já existentes, que se dê realmente (ou se volte) uma educação pública e totalmente gratuita (inclusive com transporte) aos necessitados (que não seja sucateada para privilegiar e fomentar veladamente os carteis particulares de grandes mercenários empresários exploradores da educação neste país - que os mais velhos sabem, éramos um país onde só se tinham escolas públicas, levávamos palmadas na mão, aprendíamos o hino do país, respeitávamos o pavilhão nacional, aprendíamos moral e cívica, história da cidade e do estado que nascemos, íamos uniformizados, respeitávamos os professores e educadores, e a esmagadora geração de intelectuais atuais foi desta época..mas isto rende...), que se criem medidas e controles eficazes na prática para estes inúmeros bolsas da vida, pois estamos (quem trabalha) sustentando os vagabundos (fora os que realmente necessitam, mas lembro que é dever do governo e não nosso) que se têm proliferado aos montes (uma enxurrada do movimento daqueles que largam propositalmente os empregos assalariados para ganhar mais sem fazer nada....pra que trabalhar se tem os bolsas da vida?!!!), que se peça QUALIDADE de verdade na educação (nada de máscaras públicas com índices de engôdos para cumprir metas de governos eleitoreiros), evitando que se incite a criação e proliferação atual de uma geração de energúmenos acéfalos analfabetos funcionais e críticos que não sabem nem ler....ler pra que, pesquisar pra que se o google responde??!!! (vejam a chefinha do MPL, e o tiririca...São Paulo tem maneiras estranhas de protestar...).
Queridos e queridas, passaria o dia enumerando motivos para que realmente acordássemos o gigante e soubéssemos os nossos direitos e deveres, e passássemos a cobrar com ações realmente concretas.
Estou com aqueles que querem melhorias, e torço para que dê certo.
Agora, não somos boiada que se levam ao pasto e com os peões certos vamos ao abate. Vamos aprender mais sobre nossa própria história que é rica, vamos estudar, aprender a criticar, e especialmente a propor opções realmente melhores para todos, temos uma enorme ferramenta para mudarmos a constituição a nosso favor - a vontade de mudar, mas para tal, temos que saber o que propor e por onde começar.

Lembremos que o lulopetismo enviou ao Congresso duas MP (que já estão em vigor) desonerando os diversos setores de transporte (desde a cadeia de produção, passando pela trabalhista, combustível, financiamento, insumos, pneus, etc) (fora os incentivos estaduais já dados desde 2006) e mesmo assim os gananciosos dos empresários aumentaram as tarifas. Não vejo ninguém nas ruas solicitando ao Ministério Público que apure rigorosamente o motivo de os empresários não terem desonerado para o consumidor e usuário as tarifas de ônibus, trens e metrôs!!! E pasmem, até para comprar novos ônibus o IPI foi reduzido a ZERO e com prazos de até 10 anos, e não vemos estes ônibus nas ruas, temos uma frota horrível (em qualidade e quantidade), totalmente desbalanceada nos grandes centros (atendem mais aos bairros nobres e turísticos e centro, deixando os pobres do subúrbio a mercê das superlotações e paus de araras insuportáveis - e o MPL (Passe Livre), o que fez????

Abraços e que lutemos pela revolução educacional obrigatória (vamos seguir o exemplo dos Tigres Asiáticos), e lembremos que temos que deixar de lado estes vícios de não nos envolvermos e banalizarmos a política, de ficarmos à margem dos acontecimentos sociais, econômicos e políticos (por preguiça e/ou incompetência cultural e educacional) , de queremos "nos da bem em tudo" com o "jeitinho brasileiro" (furar filas, andar na contramão, avançar sinais, estacionar em locais proibidos, beber e dirigir, comprar produtos piratas, burlar softwares, gatonet, macaco na luz, telefone, etc), de correr atrás de uma forma fácil de ganhar dinheiro sem trabalhar, nem que seja para enganar os outros, etc). Lógico que não generalizo, mas também não tratemos estes comportamentos como normais (se os políticos roubam.....).
Viva o Brasil, viva a educação - MPEQ (Movimento Pela Educação de Qualidade!!!).

Forte abraço.

Norte da França, 1888!

Alexander Von Humboldt

João Santana não enxerga manifestações, Joseph Blatter exige a construção de mais estádios e Mantega quer a volta do tomate

Carregando uma pasta estampada com a fotografia de Dilma Rousseff fantasiada de Cleópatra (com os olhos cor violeta de Elizabeth Taylor), um dos 130 assessores de João Santana protocolou na manhã desta terça-feira a inscrição do marqueteiro do reino na disputa do título de Homem sem Visão de Junho. “O chefe botou na cabeça que a presidenta tem um jeitão de rainha, mesmo com o Lula roubando o trono de meia em meia hora”, afirmou o emissário. “Ele acha que os institutos de pesquisa fizeram Dilma cair para vender mais caro a pesquisa em que ela vai subir”.
Segundo a mesma fonte, Santana também recomendou aos auxiliares que não se preocupem com a vaia no Mané Garrincha: “A vaia é a forma mais bela de ovação”, ensinou o marqueteiro real. Transmitida a Joseph Blatter, a lição animou o presidente da Fifa a solicitar à Comissão Organizadora do HSV que suspenda por um mês a vigência da norma que proíbe candidaturas de estrangeiros.  “Quem enxerga no Brasil uma colônia da Fifa e acha que manda mais que a presidenta merece lutar pelo troféu”, declarou um dos 278 assessores de imprensa da CBF, designado por José Maria Marin para formalizar a entrada de Blatter na jaula dos concorrentes de junho. “Se chegar ao segundo turno, o gringo vai  obrigar cada cidade-sede a construir um segundo estádio que custará o dobro do primeiro”.
No fim da tarde, um dos 156 assessores de Guido Mantega chegou para protocolar a candidatura do ministro da Fazenda. “O chefe não admite que esses manifestantes falem mais em corrupção do que em inflação”, revelou. “Ele mandou todo o pessoal do gabinete se infiltrar no protesto de amanhã para gritar as mesmas palavras de ordem: ‘Não esqueçam do tomate’”.
A corrida pelo troféu de junho começou, leitores-eleitores! As inscrições estão abertas! Outros candidatos ainda vão surgir! Que vença o pior!

O castigo veio a cavalo e surpreendeu a presidente arrogante e pernóstica

ANTONIO VIEIRA
Dias atrás, dona Dilma se propôs o desafio de censurar os críticos que verberam seu desgoverno. Sacou do fundo do baú a imagem do velho do Restelo, personagem dos Lusíadas que representa, no poema, o chamado, à razão e à cautela, próprio de quem tem responsabilidade sobre suas decisões, ponderando seus impactos para os potenciais atingidos. Não é este o caso de dona Dilma, evidentemente, pelo que se depreende de seu comportamento errático e leviano, quer no plano interno quer no plano internacional. Os alertas contra os riscos e custos da aventura portuguesa na conquista das Índias foram comparados, por ela, aos justos questionamentos que vêm se acumulando contra a maneira brasileira de fazer política na última década ─ vale dizer, o famigerado modelo lulopetista ─ que incorporou ao seu núcleo dirigente todos os patifes vivos da república.
Arrogante e pernóstica, a presidente quis associar a epopeia daqueles navegadores audazes com a medíocre obra de seu desgoverno, como se os seus críticos não passassem de uma paródia grosseira de ressentidos imitadores do velho do Restelo. O castigo, no entanto, veio a cavalo. Na primeira semana da Copa das Federações, a voz rouca das ruas fez dona Dilma engolir suas palavras. Frente às vaias e protestos populares, a madame revelou na inteireza sua real estatura, muito distante da aparência construída pelas falsidades e engôdos vendidos pela propaganda oficial. Retirados as sedas e os arminhos virtuais de super-executiva que lhe enfeitavam o corpanzil, restou a indumentária que, de fato, constitui sua personalidade: a de gerente que não conseguiu administrar uma lojinha de bugigangas de R$1,99 ─ levada à falência pouco tempo após a inauguração em Porto Alegre ─ mas que tem a pretensão de governar um país.
Pois bem. Não dispondo de capacidade própria nem de interlocutores que a ajudassem a enfrentar a crise posta no seu colo (sua equipe de palacianos se presta apenas à mera bajulação), restou-lhe fugir do seu palácio, às pressas e quase anônima, para dar um pulo a São Paulo e receber as devidas ordens do verdadeiro criador do quadro que se instituiu no país: o co-presidente Lula da Silva. O triste papel de dona Dilma, no entanto, merece ─ conceda-se, em vista do precedente ─ ser lido sob a ótica camoniana. No famoso episódio Inês de Castro consta o verso imortal ─ “o fraco rei faz fraca a forte gente” ─ antecipação profética em alguns séculos da presente situação nacional. Ao sair sorrateira de Brasília, para encontro com o co-presidente numa saleta escondida nos fundos do aeroporto de Congonhas, a presidente Dilma mostrou aos brasileiros que lhe faltam as condições de liderança para arrostar as adversidades.
A paralisia e incompetência do governo da república, de fato, são perfeitamente visíveis. Qual uma biruta de aeroporto, não sabe ela nem o que fazer nem para onde ir. Fecha-se em copas, a rainha das copas, reduzindo o ato de governar à distribuição de adjutórios (estatizando a esmola, como queria o Conde de Abranhos) e, até mesmo, presenteando com gordas gratificações aos amigos afortunados, tudo bancado pelos impostos dos que efetivamente trabalham e produzem: bolsa vovô, bolsa vovó, bolsa bebê, bolsa sofá, bolsa ditadura, bolsa ditadores, bolsa sobas africanos, bolsa terrorista e outras bolsas mais de nomes impublicáveis e inimagináveis.
O governo Dilma não governa, vive de declarações de intenções: vai construir isso e aquilo; vai providenciar tais e quais medidas; vai melhorar esse ou aquele serviço público etc. Sua forma de atuar é a de sempre prometer algo, numa antecipação imaginária do futuro, vivenciado no presente como se já estivesse concretizado: pura paranoia. O governo só pensa naquilo: as próximas eleições! Ministros e outros subalternos estão mais preocupados com conchavos visando 2014 do que em resolver os problemas sob suas responsabilidades.
No bojo da presente crise que assola as grandes cidades chega ao auge do ridículo, para não dizer da loucura, os ministros pretendentes se digladiando sobre quem vai ser candidato ao governo de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e demais estados, certamente pela absoluta falta do que fazer de mais útil em suas respectivas pastas. Nisso, ao menos, guardam coerência e fidelidade às posturas da presidente que, também, só age movida pelo mais reles espírito eleitoreiro.
A verdade pura e simples é que grande parte da população se encheu de, entre inúmeras causas, ver tantas obras inúteis e faraônicas (em vez daquelas necessárias à sociedade, que nunca se concretizam), fontes previsíveis de futuras contribuições de empreiteiros para o custeio de campanhas governamentais. Desmandos, preguiça, burrice e corrupção em todos os setores configuram o ambiente social e político que manifestantes estão a questionar com razões mais que suficientes, numa mescla de motivações e métodos nem sempre os mais desejáveis e democráticos. Parece uma rebelião tribal gerando um efeito de massa, um fenômeno da pós-modernidade.
Vistosas e caríssimas propagandas marteladas, maciça e diuturnamente, pelos meios de comunicação não conseguiram, contudo, abafar nem a verdade nem a realidade que assola o povo brasileiro. Dona Dilma vai insistir, até o fim, nas promessas demagógicas de casa, mobília, comida, roupa lavada, passada e engomada aos desvalidos; não tem como fugir do figurino. O Brasil, entretanto, está à espera de quem tenha a coragem de, à semelhança de Churchill, estabelecer uma relação de confiança com os cidadãos, mesmo que seja prometendo sangue, suor e lágrimas para sair do buraco em que o lulopetismo nos jogou.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ueba! Padrão Fifa ou Patrão Fifa?

Publicidade Folha online
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da Repúbica! A Primavera do Vinagre! Os R$ 0,20 mais caros da história do Brasil!
E olha a placa na manifestação: "Liberté! Egalité! Fraternité! Vinagrê!". Rarará!
E o chargista Duke: "Os governos estão confundindo Padrão Fifa com Patrão Fifa". E aí fazem tudo o que eles mandam.
E o perímetro Fifa dos estádios é mais protegido que o do Congresso! Rarará!
E olha esta placa bilíngue da Fifa: "O pau tá comendo! The dick is eating!". Rarará!
E a PM? A PM vai ter que fazer terapia. Num dia mandam bater, no outro mandam não bater e, num outro, mandam sumir. Apertem os cintos que a PM sumiu!
E a Mônica Bergamo tuitou de dentro da prefeitura sendo depredada: "Tropa de Choque estaria vindo para o centro, info de fonte do gov do Estado". E as pessoas: "De tartaruga? De lesma? Tão vindo de ÔNIBUS". Rarará!
PM quer dizer Pau Mandado. Polícia Maluca. Rarará! E adorei o Rádio Moreno do Globo: "Depois de 17/6/2013, não há mais ouvidos pras velhas raposas da política. Até os candidatos de 2014 envelheceram com a manifestação". Chupa Todos! Dançaram todos! Todos!
E um leitor mandou perguntar pra Dilma: "A Copa é a herança maldita do Lula?!". Rarará!
E a cobertura das manifestações pacíficas interrompida pelo horário político com o Maluf: "A Rota na rua! No meu tempo tinha a Rota na rua". Mas é isso que nós vamos fazer: ARROTAR NA RUA! Rarará!
E o Feliciano no Twitter: "Abro mão da Copa por hospitais e escolas. E você! O que mais falta?". Falta você deixar de ser homofóbico, racista e usar chapinha vagabunda. E outras placas nas manifestações: "Feliciano! Meu fiofó é laico". E outra: "Até a cadela é Laika. Menos o Estado". E tem cura pra evangélico insano?
E adorei esta: "Renan Calheiros critica vandalismo". Mas justo Renan? O senador vândalo? Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é Lúdico! Olha esta placa num bar em São Miguel dos Milagres, Alagoas: "Cocadas Afrodisíacas! As únicas contra os perigos de ser corno". Cocada é melhor que Viagra! Pra reunir forças pros protestos! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

José Simão começou a cursar direito na USP em 1969, mas logo desistiu. Foi para Londres, onde fez alguns bicos para a BBC. Entrou na Folha em 1987 e mantém uma coluna que considera um telejornal humorístico.

Será que vivemos mesmo em uma democracia? Até o cara que é contra a situação condena a parada...qual o motivo de ninguém ter saído às ruas na época do mensalão ou agora para pedir mais educação de qualidade?

Que bom, Mayara Vivian, que você nunca me enganou! Líder do Passe Livre se preocupa com baderneiros presos, mas não perdoa os fetos. É uma gigante moral! Boa parte da imprensa deveria fazer um mea-culpa!

Raramente eu me deixo enganar por certo tipo de gente. Muito raramente! Quantos foram os apelos feitos aqui para que eu cedesse aos encantos do Movimento Passe Livre, um grupo supostamente sem ideologia?! Quantas foram as mensagens a me acusar de estar cego, com os olhos fechados para a realidade?! Seria o povo, finalmente, acordando para a realidade do lulo-petismo!
E eu nada de mudar! Parecia estar mais surdo e mais cego do que o faraó, não é? E, fosse assim, não me restaria alternativa que não ser engolido pelas águas da minha própria teimosia.
É que eu fui procurar as origens do Movimento Passe Livre, um dado que desapareceu na imprensa. Encontrei, lá na raiz, uma espécie de incubadora de movimentos sociais, com financiamento do Ministério da Cultura, acesso à Lei Rouanet e patrocínio, para um dos projetos, da Petrobras. Seu comandante se diz partidário da “democracia líquida”. A “democracia líquida” é um conceito que elimina do horizonte os entraves da democracia representativa. O mundo é de quem pode mais, de quem grita mais, de quem se impõe.
Boa parte da imprensa tentou atribuir à turma do Passe Livre e a seus associados uma agenda que eles nunca tiveram. Tentou, sim, dar uma endireitada em seu pensamento torto; tentou se apropriar de seu ideário, mudando-lhe, em alguns casos, o vetor.
Mayara Vivian, a sedizente estudante de geografia da USP, vem a público para botar as coisas no seu devido lugar. Em entrevista ao UOL, ela ataca a dita “pauta conservadora” de algumas pessoas que participaram do movimento. Reproduzo, em vermelho, um trecho:
(…)
Mesmo dizendo que o MPL não é contra a participação de legendas nos protestos, Mayara criticou diversas faixas e slogans gritados durante as manifestações dos últimos dias.
“Tem gente que não consegue nem mobilizar dez pessoas e leva uma faixa com dizeres horríveis, como coisas contra a legalização do aborto e outras. O MPL é anticapitalista e contra qualquer forma de opressão. Repudiamos várias das reivindicações feitas nos atos.”. Nos protestos desta semana, alguns manifestantes levaram faixas pedindo a redução da maioridade penal e contra o aborto.
Presos por vandalismo
Os representantes do MPL se comprometeram a prestar auxílio jurídico a todos os manifestantes detidos e que respondem a processo – cerca de 60, segundo o movimento . Quanto ao caso de pessoas presas por saques e roubos, Mayara afirmou que “fica difícil saber se a pessoa realmente cometeu o crime do qual é acusada. Na terça-feira (18), após os saques, a PM prendeu manifestantes aleatoriamente.” O movimento afirmou que analisará caso a caso para identificar quem poderá ajudar e quais casos serão encaminhado à Defensoria Pública.
“A questão do encarceramento em massa de pessoas pobres é muito grave. O MPL não é juiz para dizer quem cometeu ou não cometeu um crime, mas somos contra vandalismo seja de manifestantes, seja do Estado”, afirmou.
(…)
Voltei
Então um movimento “sem líderes”, segundo importantes setores da nossa imprensa, vai prestar “auxílio jurídico” a delinquentes que foram presos depredando e saqueando? Que coisa bonita! Para vagabundo que sai roubando pela cidade, ela quer ajuda. Mas não perdoa quem não pode correr: os fetos, por exemplo. Notem: ela é contra até mesmo a que alguém erga um cartaz se manifestando contra o aborto. Acha isso “horrível”.
Mayara Vivian se coloca como juíza das reivindicações feitas nos atos. Ela é a senhora da pauta e deixa muito claro: eles são contra o capitalismo e “outras formas de opressão” — e se entende, assim, que o capitalismo é, por definição, uma forma de opressão. Logo, não havendo uma terceira opção, ela só pode ser a favor da libertação socialista. E isso não é dedução ou conjectura. O MPL se diz socialista, sem meias palavras.
Mayara se refere ainda a um suposto “encarceramento” de pessoas pobres que estaria em curso no Brasil — e toca no assunto quando se refere à canalha que foi presa em atos de vandalismo.
A imprensa que está flertando com essa gente está alimentando a Besta. Os que acham que esse movimento que privilegia a desordem e a afronta à legalidade democrática pode ser ruim para o lulo-petismo não está entendendo nada! Nessa matéria do UOL, Mayara deixa claro que também se opõe àqueles que criticaram a presença de partidos políticos nas manifestações. E dá piscadelas explícitas ao PT, que já ajustou a sua chave ao “movimento”. Em essência, o Passe Livre é o petismo sem a responsabilidade de governar.
Bem-vindos à realidade, senhores liberais do miolo mole! Bem-vindos à realidade, senhores nefelibatas! Em muitos aspectos, literais e metafóricos, a imprensa livre está cercada por essa gente. Os que resolveram brincar de Al Jazeera caipira cobrindo a Primavera Árabe estavam — e estão — flertando com a corda em torno do próprio pescoço.
A foto que vai lá no alto está no site da BBC, que destacou uma frase lapidar dita por esta moça: “Achei um absurdo termos que negociar com o secretário de segurança pública [e não com a Secretaria de Transportes]. O povo tem direito à cidadania e à tarifa zero”. Ela queria paralisar a cidade, como paralisou, mas achou um absurdo ter de negociar com quem responde pela segurança de 11,5 milhões de pessoas. E, como se vê, transformou a tarifa zero num direito natural.
Vão lá brincar com eles, liberais bobões!
Vão lá balançar o berço do bebê-diabo!
Chamem o Polanski. A imprensa brasileira vive a sua fase Rosemary.

Rosemary nina “o troço” no berço do mal. Ela tinha sido incubada pelo “coisa- ruim”
Por Reinaldo Azevedo em veja online

Vai um churrasquinho aí???!!!

Fala um saqueador – “A Dilma foi contra a ditadura. Foi presa. Procura lá na ficha dela os roubos que ela fez. Por que a gente não pode fazer isso?”

Muito interessante uma reportagem de Artur Rodrigues no Estadão, que vem acompanhada de um vídeo. É matéria para bastante reflexão.
Manifestantes que participaram de invasão da Prefeitura na noite de terça-feira prometem mais quebra-quebra nas próximas manifestações. Um estudante de 18 anos, que estava entre os que atiravam pedras no Edifício Matarazzo, afirma que esse é o único jeito de ser ouvido. “Se não ouvir a gente, se não prestar atenção na gente, vai ter muito mais”, disse.
“A Dilma foi contra a ditadura. Foi presa. Procura lá na ficha dela os roubos que ela fez. Por que a gente não pode fazer isso?”, disse. De acordo com ele, a tarifa é apenas a “faísca” de tudo que vem acontecendo. Entre os partidários do quebra-quebra como instrumento político, há punks e pichadores, entre outros grupos. Os gritos de guerra deles são “Sem moralismo, sem moralismo” e “Se não quebrar não vai rolar”.
Um grupo maior e menos agressivo, porém, se arrisca para tentar conter a depredação. O corretor de imóveis Gustavo Klis, de 26 anos, foi agredido para impedir que a bandeira do Brasil fosse queimada, como aconteceu com as da cidade e do Estado de São Paulo. “Nós estivemos seis atos defendendo essa bandeira. É uma hipocrisia queimá-la agora”, afirma.
Vestido de Super-homem, o artista plástico William Steadille, de 18 anos, fez parte de uma corrente humana para impedir que a porta dos fundos da Prefeitura fosse arrombada com um poste. “Não é de violência que o Brasil precisa. É de voz, de um grito. Isso não é um grito, é uma lesão”, ele afirma.
Até o empresário Oscar Maroni, dono da boate Bahamas, foi até o local para dar apoio ao grupo que tentava invadir o prédio do Executivo municipal. “Isso aqui é o novo povo deixando de agir como gado”, disse.
Um vendedor de churrasco não se importou com o fato de a Tropa de Choque e manifestantes estarem prestes a entrar em confronto. “Não penso nada disso. Mas já vendi vários churrascos”, disse, pouco antes de ter de se retirar devido às bombas de gás jogadas pelos policiais.
Por Reinaldo Azevedo em veja online

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