Causas do infarto que você ainda não sabe (mas precisa saber).
Além
da dieta e do estilo de vida, a patologia pode ser causada por uma
série de outras situações, algumas bastante inusitadas. Saiba o que é
mito e o que é verdade e fique de olho!por FERNANDA DE ALMEIDA | colaborou CRISTINA ALMEIDA
Sentir dor no peito, que pode se espalhar pelo queixo, com dormência
nos braços ou nas costas são sinais clássicos de que a pessoa está tendo
um infarto. A doença pode ser definida como a parada súbita da
circulação do sangue no coração ou em uma das artérias coronárias. A dor
que se sente é causada exatamente pela falta de sangue que, não
conseguindo passar pelas veias, impede a oxigenação do coração. Os
principais motivos dessas obstruções são o sedentarismo, os maus hábitos
alimentares, a obesidade, o colesterol alto, a pressão alta, o estresse
e o tabagismo.
Apesar disso, o que muita gente não sabe é que existe uma série
de outros fatores inesperados que também podem causar um infarto, e
eles abrangem problemas com a vizinhança, uso de medicamentos e
suplementos e muito mais. A
VivaSaúde conversou com alguns especialistas para elucidar o que é mito e o que é verdade nos desencadeadores dessa patologia. Confira!
Antibióticos podem provocar o problema
MITO — Os medicamentos, em
si, não têm influência direta no risco de infarto. O que Marcelo
Sampaio, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese (SP), explica é que
os antibióticos podem causar diferentes tipos de lesão, entre elas a
renal, o que consequentemente pode aumentar o risco de infarto. “Mas não
se pode afirmar que os antibióticos sejam fatores de risco dessa
doença”, diz.
Emoções fortes são boas, mas ter equilíbrio é melhor
VERDADE — O coração emocional
está diretamente relacionado com o coração físico. Emoções podem
influenciar e aumentar o risco de infarto. “Não é à toa que muitos
torcedores fanáticos de futebol, por exemplo, morrem durante copas do
mundo e finais de campeonatos”, afirma Wajngarten. Nesses casos, o
infarto geralmente acontece sem o entupimento da artéria, é consequência
do susto, do imprevisível, da emoção forte. “Existe uma doença chamada
Síndrome do Coração Partido que se refere justamente aos infartos em
pessoas com coronárias saudáveis, mas que sofreram algum tipo de perda
afetiva”, diz Sampaio. |
Terapia para combater o câncer nada influencia no problema
MITO — Qualquer tratamento quimioterápico ou radioterápico —
comumente usado em tratamento para variados tipos de câncer — aumenta as
chances de infarto. “Faz parte da escolha de tratamento para um
paciente com câncer saber se ele já tem alguma tendência a sofrer
infarto, porque esse risco será aumentado com certos tipos de
procedimentos”, explica Sampaio.
É bom evitar a suplementação de minerais
MITO — Desde o início das pesquisas relacionadas às causas do
infarto, acredita-se que o excesso de ferro seja um dos fatores de
risco. Essa seria também uma das explicações para que a mulher jovem
tivesse menos chances de ter infarto depois de menstruar, pois perdia
sangue e com ele o nutriente. “Mas atualmente sabe-se que por meio da
suplementação não existe uma quantidade significativa de consumo do
ferro para que essa se torne uma prática de risco”, afirma Sampaio. O
cardiologista explica ainda que o acúmulo prejudicial de ferro
caracteriza a doença chamada Hemocromatose, que pode levar ao infarto. |
Vale mais um bom vizinho que um amigo
VERDADE — Não há dúvidas de que o ambiente em que se vive
possa influenciar no risco de infarto. Estar insatisfeito, irritado,
cansado e sentir-se exigido pela vizinhança, por exemplo, tende a
sobrecarregar o funcionamento do coração e das artérias, podendo elevar a
pressão e, consequentemente, conduzir a um infarto. Além disso, “A vida
na cidade aumenta as chances da doença por uma série de fatores,
inclusive a poluição — muitas pesquisas mostram isso”, afirma Mauricio
Wajngarten,cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).
Seu chefe ainda vai lhe dar motivo para uma síncope!
VERDADE — Um estudo realizado pelos britânicos, em
2005, avaliou funcionários públicos e descobriu que as pessoas que
achavam que seus chefes não consideravam seus pontos de vista ou que não
se sentiam fazendo parte da tomada de decisões, eram mais propensas a
desenvolver doenças cardíacas do que os demais funcionários. Há ainda
outros estudos que relacionam a tensão no trabalho com o aumento de 23%
no risco dessas doenças, incluindo o infarto. “As causas são as mesmas
de qualquer tensão nos relacionamentos, quando não vai bem pode gerar
uma carga de estresse e aumentar os riscos do infarto”, explica
Wajngarten.
Psoríase é fator de risco
MITO — Na verdade, a doença e o infarto possuem uma de suas
raízes em comum: o estresse. Por isso, é comum que pessoas que tenham
psoríase sofram também de obstrução arterial, mas não se pode afirmar
que uma doença aumente o risco da outra. Apesar disso, Wajngarten alerta
que “cada vez mais estudos comprovam que existe uma relação da psoríase
com o infarto quando há um estado de inflamação crônico”. |
Clima com baixas temperaturas deixam as pessoas mais suscetíveis
VERDADE — Pode parecer estranho, mas a verdade é que em
temperaturas mais extremas — seja muito frio ou muito calor — o corpo é
mais exigido e isso pode sobrecarregar o trabalho das artérias,
atrapalhando seu bom funcionamento e causando o infarto. “No caso do
inverno, há uma vasoconstrição das artérias, além de a pessoa beber e
comer mais, desencadeando maiores possibilidades da doença”, finaliza
Wajngarten.
Parar o uso de “Aspirina” indicada pelo médico
VERDADE — O Ácido Acetilsalicílico foi descoberto há mais de
um século e é o medicamento mais prescrito para pacientes cardiopatas em
todo o mundo. Segundo o cardiologista Ricardo Pavanello, do setor de
coronariopatias do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), ele é
utilizado como antiagregante plaquetário, isto é, age combatendo a
formação de trombos (coágulos sanguíneos) que são, em associação à
aterosclerose (placas de gordura), a causa do entupimento das artérias
do coração e do cérebro. Esta é a razão por que o medicamento é
utilizado como anticoagulante. “O medicamento também possui efeito
anti-inflamatório, e seu uso contribui para a estabilização das placas
de gordura, protegendo o sistema arterial. Portanto, suspender, por
conta própria, uma terapia que busca prevenir complicações
cardiológicas, pode, sim, causar um infarto”, declara o especialista.
Mantenha o corpo livre de inflamações
VERDADE – “Determinadas inflamações podem contribuir para
acentuar o processo de infarto”, confirma José Monassa Pittella,
coordenador do departamento de coronária do Instituto Nacional de
Cardiologia (RJ). As bactérias das inflamações rompem as placas de
gordura das artérias fazendo com que sejam liberadas substâncias no
sangue e isso facilita a coagulação e, em alguns casos, a obstrução da
passagem, gerando o infarto.
A saúde bucal independe da do coração
MITO — “A saúde bucal influencia o corpo humano como
um todo. Quanto mais problemas dentários, mais chances de ter infarto”,
enfatiza Sampaio. A justificativa se assemelha ao item sobre infecção,
já que a gengivite é justamente causada pela ação de bactérias. São elas
que podem atrapalhar a camada interna protetora das artérias e fazer
com que haja acúmulo de gordura no sangue, causando obstrução e,
consequentemente, o infarto. |
Ter níveis de colesterol baixo (HDL) protege o coração
MITO — O que se sabe é que o risco de infarto aumenta
quando o paciente tem um nível alto do mau colesterol (LDL). Mas ainda
não há provas definitivas que comprovem que mesmo com o LDL dentro da
normalidade, mas com o colesterol bom (HDL) abaixo do indicado, a pessoa
tenha mais chances de ter a doença. Sampaio argumenta que “uma série de
estudos tem focado no tema para verificar se o baixo bom colesterol
pode ser considerado uma causa, mas como ainda não há definições
científicas, trata-se de um mito”.
Tristeza não se relaciona com a patologia
MITO — A depressão pode ser definida como uma doença
do corpo como um todo, ou seja, que acomete o paciente tanto física
quanto psicologicamente. Por isso, esta doença pode gerar processos
inflamatórios, mau funcionamento de diferentes órgãos, estresse, entre
outros sintomas que podem gerar o infarto. “A depressão pode, por
exemplo, engrossar o sangue e produzir hormônios que causam a
vasoconstrição, que é a diminuição da área de passagem do sangue pelas
artérias, fatores que influenciam no risco do infarto”, diz Sampaio.
Mau funcionamento dos rins aumenta a chance da doença
VERDADE — A função dos rins é justamente filtrar o
sangue, se ele não trabalha bem, faz com que o sangue que circula não
esteja completamente saudável. “Problemas renais podem causar acúmulo de
gordura nas veias e causar o infarto. Mas é importante lembrar que não
necessariamente essa relação acontecerá, depende de cada indivíduo”,
explica Pitella.
Diabetes é o maior vilão do funcionamento cardíaco
VERDADE — Assim como hipertensão
e tabagismo, o diabetes é considerado um dos maiores vilões do infarto.
Por se tratar de uma doença sistêmica, que age diretamente sobre as
placas de gordura de todo o corpo, provoca alterações que lesam a parede
das artérias, expondo o sangue que se contamina e pode coagular. “Sem
dúvidas há uma vinculação direta de causa e efeito”, afirma Pitella. |
Em http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/117/causas-do-infarto-que-voce-ainda-nao-sabe-mas-precisa-276096-1.asp